Cientistas detectaram um aglomerado de galáxias surpreendentemente quente, datado da infância do universo, que se formou e atingiu temperaturas extremas muito antes do previsto pelos modelos cosmológicos atuais. A descoberta, detalhada em 7 de janeiro de 2026 pela University of British Columbia (UBC) via ScienceDaily, sugere que buracos negros supermassivos podem ter sido os responsáveis por aquecer rapidamente o gás circundante, forçando uma revisão profunda na compreensão de como os aglomerados galácticos crescem e evoluem.
Este achado desafia diretamente as teorias estabelecidas que preveem um aquecimento gradual dos aglomerados ao longo do tempo, atingindo tais temperaturas apenas em estágios muito mais avançados de sua formação. A existência de um reservatório térmico tão grande de gás quente em um sistema tão jovem indica uma atividade energética intensa e precoce no universo.
O aglomerado, identificado como SPT2349-56, existia apenas 1,4 bilhão de anos após o Big Bang e já apresentava uma atmosfera de gás pelo menos cinco vezes mais quente do que o esperado para sua idade, superando inclusive muitos aglomerados atuais, conforme Dazhi Zhou, principal autor e doutorando na UBC, afirmou.
A misteriosa fonte de energia em aglomerado de galáxias primitivo
A pesquisa, publicada em 5 de janeiro de 2026 na revista Nature, aponta para uma atividade poderosa no universo primitivo como a causa desse aquecimento anômalo. Dr. Scott Chapman, coautor e professor da Dalhousie University, sugere que três buracos negros supermassivos recentemente descobertos no aglomerado foram os prováveis catalisadores, bombeando enormes quantidades de energia para os arredores e moldando o jovem aglomerado de forma mais intensa e precoce do que se imaginava.
Para investigar o SPT2349-56, os pesquisadores utilizaram o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), uma rede de radiotelescópios capaz de observar o universo em comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos. A equipe empregou a técnica do efeito Sunyaev-Zeldovich, que permite estimar a energia térmica do meio intracluster — o gás presente entre as galáxias de um aglomerado. Este método foi crucial para revelar o calor extremo do gás neste sistema distante.
Implicações para a formação de aglomerados de galáxias
O aglomerado SPT2349-56, apesar de sua juventude cósmica, já é notavelmente grande, com uma região central que se estende por cerca de 500.000 anos-luz, abrigando mais de 30 galáxias ativas e produzindo novas estrelas a uma taxa 5.000 vezes superior à da Via Láctea. Essa densidade e atividade intensas, combinadas com o gás superaquecido, oferecem um cenário complexo que desafia os modelos gravitacionais de aquecimento gradual.
As teorias atuais postulam que o gás do meio intracluster se reúne lentamente e se aquece à medida que a gravidade puxa um aglomerado instável para dentro ao longo do tempo. As novas observações, no entanto, sugerem um início muito mais violento, onde o aquecimento ocorre mais cedo e de forma mais rápida do que o previsto. A compreensão de como esses aglomerados massivos se formam é fundamental para desvendar a evolução das maiores galáxias do universo, que residem predominantemente nesses ambientes.
Os próximos passos da pesquisa, segundo Zhou, incluem investigar a interação entre a intensa formação estelar, os buracos negros ativos e a atmosfera superaquecida do aglomerado. A equipe busca entender como todas essas forças podem estar agindo simultaneamente em um sistema tão jovem e compacto, prometendo insights valiosos sobre a construção dos aglomerados de galáxias que observamos hoje.











