Em um movimento que redefiniu o tabuleiro geopolítico regional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no último sábado, 3 de janeiro de 2026, que forças americanas realizaram um “ataque em larga escala contra a Venezuela” e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. A operação, descrita como não discreta e com o despejo de munições na capital venezuelana, culminou na remoção de Maduro do território e em sua transferência para custódia americana, onde enfrentará acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas em Nova York.

Este desdobramento é a culminação de anos de tensões crescentes entre Washington e Caracas, marcadas por sanções econômicas e acusações criminais contra a cúpula venezuelana. Desde março de 2020, o Departamento de Justiça dos EUA havia emitido um mandado de prisão contra Maduro por tráfico internacional de drogas, oferecendo uma recompensa que, em agosto passado, alcançou US$ 50 milhões por informações que levassem à sua captura. A ação militar americana, que não depunha um líder estrangeiro de forma tão direta há décadas, gerou apreensão imediata e um intenso debate sobre a legalidade e as implicações para a soberania nacional na América do Sul.

A operação e as acusações por narcoterrorismo

Os detalhes da operação militar que levou à captura de Nicolás Maduro ainda são nebulosos, mas relatos indicam que ele e sua esposa foram detidos em um complexo “altamente protegido” em Caracas. Segundo fontes, o casal foi surpreendido dormindo e arrastado de seu quarto por forças de elite dos EUA, sendo posteriormente transferido de helicóptero para o navio USS Iwo Jima, que os transportará para Nova York. A procuradora-geral Pam Bondi afirmou que Maduro “em breve enfrentará todo o peso da justiça americana em solo americano, nos tribunais americanos”.

As acusações contra Maduro remontam à sua suposta liderança do “Cartel de los Soles”, uma organização classificada pelos EUA como terrorista. O Departamento de Justiça americano o acusa de conspiração com narcoterrorismo, tráfico de drogas e uso de armas ilegais, facilitando outros cartéis que, segundo Washington, ameaçam a segurança nacional. Esta escalada representa um ponto crítico em um histórico de confrontos que, ao longo da última década, combinou sanções econômicas, isolamento diplomático e acusações de apoio a golpes de Estado por parte de Caracas contra Washington. A Venezuela, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, tem sido alvo de sanções intensificadas a partir de 2014, o que, somado à má gestão da estatal PDVSA, contribuiu para uma profunda crise econômica e humanitária no país.

Reações internacionais e o futuro da Venezuela

A captura de Maduro provocou uma fissura significativa na América do Sul e reações globais divergentes. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou a ação como uma “afronta gravíssima” e apelou à ONU, citando a violação do direito internacional. Diplomatas brasileiros classificaram o episódio como um fato sem precedentes recentes na região, expressando apreensão sobre a violação da Carta da ONU e o precedente perigoso que a ação cria ao demonstrar que nenhum país da região estaria imune à coerção militar. A China também condenou a ação, afirmando que “atos hegemônicos dos Estados Unidos violam gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela”.

Em contraste, o presidente da Argentina, Javier Milei, aliado de Trump, celebrou a “queda do regime chavista” como um “avanço da liberdade”. A postura dos EUA, que agora se propõem a “administrar” a Venezuela temporariamente até uma transição política, levanta questões sobre o futuro do país e sua vasta riqueza petrolífera. A crise humanitária e econômica na Venezuela, que já levou mais de cinco milhões de pessoas a abandonar o país desde 2015, provavelmente enfrentará novos desdobramentos em um cenário de incerteza política e econômica. A comunidade internacional aguarda os próximos passos, enquanto a região reflete sobre as implicações de uma intervenção tão direta na soberania de uma nação.