Uma pesquisa recente do H. Lee Moffitt Cancer Center & Research Institute revelou que a evolução do câncer não é um processo caótico, mas segue regras ocultas determinadas pela forma como as células ganham e perdem cromossomos. Essa descoberta, publicada em 26 de janeiro de 2026, promete transformar a abordagem no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra a doença, conforme detalhado no ScienceDaily 1.
Por muito tempo, a progressão do câncer e sua resistência a terapias pareciam imprevisíveis, um desafio constante para a medicina oncológica. A complexidade de milhões de células tumorais, cada uma com suas particularidades genéticas, dificultava a compreensão dos mecanismos subjacentes que impulsionam a adaptação e sobrevivência da doença.
Entender essa dinâmica é crucial para antecipar como os tumores se alteram e respondem aos tratamentos, abrindo caminho para estratégias que não apenas reagem à resistência, mas a previnem. A nova metodologia oferece uma visão sem precedentes sobre a inteligência evolutiva do câncer.
Desvendando a lógica da instabilidade cromossômica no câncer
A equipe de pesquisadores do Moffitt Cancer Center desenvolveu uma ferramenta computacional inovadora, chamada ALFA-K, capaz de prever como as células cancerosas evoluem ao longo do tempo, rastreando o ganho e a perda de cromossomos inteiros 1, 2, 3. Essas alterações genéticas em larga escala são fundamentais, pois permitem que os tumores cresçam, se adaptem a estresses diversos e, crucialmente, desenvolvam resistência aos tratamentos existentes 1, 2.
A Dra. Noemi Andor, autora correspondente e membro associada do Programa de Oncologia Matemática Integrada do Moffitt, explicou que o problema anterior era a falta de um método confiável para determinar quais combinações de cromossomos ajudavam as células cancerosas a sobreviver 1, 3. Segundo ela, “o número de possíveis estados cromossômicos é enorme, e a maioria das abordagens existentes só conseguia capturar instantâneos ou o comportamento médio de muitas células” 1. O ALFA-K supera essa limitação ao analisar dados longitudinais de células individuais, reconstruindo como as células cancerosas se movem entre diferentes estados cromossômicos e quais são favorecidos pela evolução 1, 2, 3.
Implicações para o futuro dos tratamentos contra o câncer
As mudanças cromossômicas são poderosas porque afetam simultaneamente centenas ou milhares de genes, permitindo que as células cancerosas façam “saltos evolutivos” significativos, em vez de apenas pequenos ajustes 1, 3. Essa capacidade de alteração rápida cria uma diversidade interna no tumor, aumentando as chances de que algumas células sobrevivam à quimioterapia ou outras terapias. O estudo, publicado na Nature Communications, destaca que os efeitos dessas mudanças dependem do perfil cromossômico já existente na célula, tornando a predição da evolução do câncer um desafio complexo até agora 1, 2, 3.
A abordagem do ALFA-K é distinta por rastrear milhares de células individuais ao longo do tempo, considerando a instabilidade cromossômica contínua e reconstruindo “paisagens de aptidão” locais 1, 2, 3. Essas paisagens descrevem o quão vantajosa ou prejudicial é uma mudança cromossômica, dada a configuração atual da célula. Compreender essas “regras ocultas” da evolução do câncer abre a porta para o desenvolvimento de tratamentos “cônscios da evolução”, que antecipam as mudanças do tumor em vez de reagir somente após o surgimento da resistência, conforme detalhado no ScienceDaily 1.
A descoberta de que a evolução do câncer segue padrões mensuráveis, e não apenas o acaso, representa um avanço monumental. Ao identificar as combinações cromossômicas que conferem vantagem às células tumorais, os cientistas podem desenvolver terapias mais direcionadas e proativas. Isso sugere um futuro onde os tratamentos não apenas combatem o câncer existente, mas também antecipam suas próximas jogadas, tornando a doença menos resistente e mais gerenciável.









