Novas pesquisas indicam que exames cerebrais podem finalmente trazer precisão ao tratamento da depressão, substituindo o método de tentativa e erro que afeta milhões de pacientes globalmente. Um estudo recente compara uma medicina chinesa tradicional com antidepressivos padrão, revelando padrões cerebrais capazes de prever a resposta individual à terapia, um avanço crucial para o tratamento personalizado da depressão.

O transtorno depressivo maior (TDM) representa uma das condições de saúde mental mais prevalentes e debilitantes, impactando profundamente o pensamento, os sentimentos e o funcionamento diário das pessoas. Projeta-se que o TDM se torne a doença mais comum e dispendiosa mundialmente até 2030, conforme dados de pesquisa.

Apesar da vasta gama de medicamentos disponíveis, a escolha do antidepressivo adequado permanece um desafio. Cerca de um terço dos pacientes não melhora após a primeira tentativa de tratamento, resultando em meses de incerteza e sofrimento. A ausência de ferramentas objetivas para prever a eficácia de um tratamento específico para cada indivíduo agrava essa dificuldade, com as decisões ainda baseadas predominantemente em sintomas e histórico médico.

Uma nova abordagem no tratamento da depressão

Um estudo clínico publicado na revista General Psychiatry explorou se a medicina tradicional chinesa (MTC) poderia oferecer novas perspectivas no tratamento do TDM e se a imagem cerebral auxiliaria na previsão da resposta terapêutica. A pesquisa, conduzida no Fourth People’s Hospital of Taizhou, envolveu 28 pacientes ambulatoriais diagnosticados com TDM em um ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.

Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu a Pílula Yueju, um fitoterápico chinês tradicional, e um placebo para escitalopram; o outro grupo recebeu escitalopram, um antidepressivo comum, e um placebo para a Pílula Yueju. Essa metodologia permitiu comparar diretamente a eficácia de ambos os tratamentos em condições similares. A gravidade da depressão foi avaliada pela Escala de Depressão de Hamilton (HAMD-24), e amostras de sangue, além de ressonâncias magnéticas cerebrais, foram coletadas.

Ambos os grupos apresentaram melhora nos sintomas depressivos após o tratamento, indicando eficácia semelhante na redução dos sinais clínicos da doença. Contudo, uma diferença biológica significativa surgiu: apenas os pacientes do grupo da Pílula Yueju experimentaram um aumento notável no fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) sérico. Esta proteína é vital para o crescimento de células cerebrais, conectividade e regulação do humor, e níveis baixos de BDNF têm sido associados à depressão.

O papel dos exames cerebrais na terapia personalizada

Os dados de imagem cerebral revelaram insights ainda mais profundos. Pesquisadores identificaram que redes específicas formadas por estruturas cerebrais poderiam prever mudanças nas pontuações de depressão em ambos os grupos de tratamento. Essas redes refletem como diferentes regiões do cérebro são organizadas e conectadas. De forma ainda mais marcante, certos padrões cerebrais foram preditivos apenas em pacientes que tomaram a Pílula Yueju.

Esses padrões foram baseados na profundidade do sulco e na espessura cortical, características que descrevem as dobras da superfície cerebral e a espessura da camada externa do cérebro, ambas ligadas ao desenvolvimento e função cerebral. Uma análise adicional destacou que a rede visual do cérebro desempenhou um papel particularmente importante na previsão de melhorias tanto nos sintomas de depressão quanto nos níveis de BDNF entre aqueles tratados com a Pílula Yueju.

De acordo com o portal www.sciencedaily.com, essas descobertas sugerem que padrões de rede cerebral identificados por meio de exames de ressonância magnética poderiam auxiliar na previsão de como pacientes individuais com TDM responderão ao tratamento com a Pílula Yueju. Essa abordagem transcende a tomada de decisões baseada apenas em sintomas, apontando para uma terapia antidepressiva mais personalizada.

A possibilidade de usar exames cerebrais para determinar a melhor rota de tratamento para a depressão representa um salto significativo da abordagem atual de tentativa e erro. Se validada em estudos mais amplos, essa estratégia pode permitir que os médicos combinem pacientes com as terapias mais eficazes desde o início, minimizando o sofrimento e otimizando os resultados. O futuro do tratamento da depressão pode estar na personalização guiada pela neuroimagem, oferecendo esperança para milhões.