Uma nova pesquisa do AdventHealth Research Institute sugere que apenas 150 minutos semanais de exercício aeróbico podem manter o cérebro biologicamente mais jovem, promovendo uma mente mais aguçada no futuro. Publicado no Journal of Sport and Health Science, o estudo usou ressonâncias magnéticas para demonstrar como o exercício rejuvenesce o cérebro, oferecendo uma perspectiva otimista para a saúde cognitiva em longo prazo.

Os resultados, divulgados em 22 de janeiro de 2026 no ScienceDaily, apontam que adultos que se dedicaram a um ano de atividade aeróbica consistente apresentaram cérebros que pareciam quase um ano mais jovens do que aqueles que mantiveram hábitos sedentários. Esta descoberta sublinha a importância da meia-idade como uma janela crítica para a prevenção, onde intervenções simples podem gerar benefícios duradouros na saúde cerebral.

Compreender o impacto do estilo de vida na longevidade cerebral torna-se cada vez mais relevante em uma sociedade que envelhece. A capacidade de influenciar a idade biológica do cérebro por meio de atividades diárias oferece uma ferramenta poderosa para a manutenção da capacidade cognitiva e bem-estar mental, muito antes que problemas sérios se manifestem.

O estudo por trás do cérebro mais jovem

A pesquisa envolveu 130 adultos saudáveis, com idades entre 26 e 58 anos, divididos aleatoriamente em um grupo de exercício aeróbico moderado a vigoroso e um grupo de controle. Os participantes do grupo de exercício completaram duas sessões supervisionadas de 60 minutos por semana em laboratório, complementadas por atividades em casa para atingir aproximadamente 150 minutos de atividade aeróbica semanal, seguindo as diretrizes do American College of Sports Medicine.

Cientistas mediram a estrutura cerebral com ressonância magnética (MRI) e a aptidão cardiorrespiratória no início e após 12 meses. O conceito de “idade cerebral” foi estimado por meio de imagens de ressonância magnética, refletindo quão jovem ou envelhecido o cérebro parece em comparação com a idade cronológica de uma pessoa. Uma diferença maior na idade cerebral prevista (brain-PAD) indica um cérebro que parece mais velho e tem sido associada a um desempenho físico e cognitivo mais fraco.

Após um ano, as diferenças entre os grupos foram notáveis. O grupo que praticou exercício apresentou uma redução mensurável na idade cerebral, com seus cérebros parecendo cerca de 0,6 anos mais jovens. Em contraste, o grupo de controle teve um leve aumento de aproximadamente 0,35 anos na idade cerebral. A lacuna direta entre os dois grupos, ao final do estudo, foi de quase um ano em favor dos que se exercitaram.

Dr. Lu Wan, principal autor do estudo e cientista de dados no AdventHealth Research Institute, destacou a relevância dos achados. “Descobrimos que um programa de exercício simples, baseado em diretrizes, pode fazer o cérebro parecer comprovadamente mais jovem em apenas 12 meses”, afirmou Wan. “Embora as mudanças absolutas fossem modestas, mesmo uma mudança de um ano na idade cerebral pode ser significativa ao longo de décadas.”

Implicações para a saúde cerebral duradoura

A descoberta de que o exercício rejuvenesce o cérebro, mesmo que em menos de um ano, possui implicações importantes para a saúde ao longo da vida. Dr. Kirk I. Erickson, neurocientista e autor sênior do estudo, salientou que cada “ano” adicional de idade cerebral está associado a diferenças significativas na saúde em fases posteriores da vida.

Apesar dos resultados claros, os mecanismos exatos pelos quais o exercício afeta o envelhecimento cerebral ainda estão sendo explorados. Os pesquisadores investigaram fatores como melhorias na aptidão física, composição corporal, pressão arterial e níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Curiosamente, nenhum desses fatores explicou estatisticamente a redução na idade cerebral observada no estudo.

Essa lacuna na compreensão sugere que o exercício pode atuar por meio de mecanismos adicionais e ainda desconhecidos para promover a saúde cerebral. A pesquisa continua a desvendar a complexa interação entre atividade física e neurobiologia, mas a mensagem é clara: o compromisso com uma rotina de exercícios é um investimento valioso na sua saúde cognitiva futura.

Manter a consistência na atividade física em fases cruciais da vida, como a meia-idade, pode ser uma estratégia eficaz e acessível para mitigar os efeitos do envelhecimento cerebral. Os dados reforçam a necessidade de incorporar o exercício regular não apenas para o corpo, mas como um pilar fundamental para a vitalidade da mente.