Uma nova pesquisa, divulgada em 19 de janeiro de 2026, revela que os microplásticos de fertilizantes agrícolas, amplamente usados em plantações, estão se tornando uma fonte significativa e subestimada de poluição oceânica. Cientistas da Universidade Metropolitana de Tóquio rastrearam o caminho dessas partículas, desvendando parte do mistério dos “plásticos desaparecidos” no mar, com praias atuando como depósitos temporários.
O impacto ambiental dos polímeros que revestem fertilizantes, projetados para liberação lenta de nutrientes, é uma preocupação crescente. Embora benéficos para a agricultura, esses revestimentos se fragmentam e viajam por cursos d’água, contribuindo para a vasta quantidade de resíduos plásticos que assola os ecossistemas marinhos globais. [cite: 0, 1]
Estima-se que cerca de 90% do plástico que entra nos oceanos não seja visível na superfície, sugerindo que grande parte se deposita no fundo do mar ou fica presa em “sumidouros” ambientais. Entender o trajeto desses microplásticos, que podem ter até cinco milímetros de diâmetro, é crucial para mitigar a crescente crise da poluição plástica e seus impactos na saúde humana e planetária. [cite: 2, 3]
A jornada dos microplásticos do campo ao litoral
A equipe da Universidade Metropolitana de Tóquio, liderada pelo Professor Masayuki Kawahigashi e pela Dra. Dolgormaa Munkhbat, dedicou-se a compreender como os fertilizantes revestidos com polímeros (PCF) chegam às praias e águas oceânicas. A pesquisa, que examinou 147 parcelas em 17 praias no Japão, revelou contrastes acentuados nas vias de transporte e acúmulo desses microplásticos.
Próximo a foz de rios, a quantidade de PCF encontrada nas praias representava menos de 0,2% do fertilizante usado nos campos adjacentes. Cerca de 77% do material permanecia nas terras agrícolas, enquanto 22,8% era levado para o mar. No entanto, em áreas com drenagem direta dos campos para o oceano, até 28% do plástico dos fertilizantes era encontrado nas praias próximas. Esses resultados indicam que as praias funcionam como “sumidouros” importantes, mas muitas vezes negligenciados, no movimento global da poluição plástica. [cite: 0, 2]
Fertilizantes com revestimento plástico são amplamente utilizados na agricultura, especialmente no cultivo de arroz no Japão e na China, e em culturas como trigo e milho nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa Ocidental. Estudos anteriores já apontavam que entre 50% e 90% dos detritos plásticos encontrados em praias japonesas originavam-se desses revestimentos. A degradação desses materiais plásticos na agricultura também contribui para a contaminação do solo, que pode conter 23 vezes mais microplásticos que os oceanos. [7, 8]
A química por trás do acúmulo e “desaparecimento”
A pesquisa também observou mudanças físicas nos microplásticos de fertilizantes coletados nas praias. Muitos deles apresentavam avermelhamento e escurecimento notáveis. A análise por Espectroscopia de Raios X por Dispersão de Energia (EDX) detectou camadas adicionais de óxido de ferro e alumínio nas superfícies plásticas. Esses materiais podem aumentar o peso das cápsulas, tornando-as menos propensas a serem arrastadas de volta para o mar pelas ondas.
O movimento desses microplásticos é complexo. Enquanto ondas e marés desempenham um papel crucial em empurrar esses plásticos para a costa, transformando as praias em locais de armazenamento temporário, a maioria dos PCFs que entram nos rios acaba “desaparecendo”. A interação dos microplásticos com o solo e a água pode influenciar a dinâmica de nutrientes e a movimentação de substâncias tóxicas, com impactos negativos para as plantas e microrganismos. [10]
Embora muitas questões ainda persistam sobre como a poluição plástica se move pelo ambiente, este estudo representa um avanço importante. Ao mapear o trajeto dos plásticos de fertilizantes da terra para o mar, os pesquisadores ajudam a elucidar como os PCFs contribuem para o problema global dos plásticos “desaparecidos”.
A pesquisa da Universidade Metropolitana de Tóquio oferece uma compreensão crítica de como as práticas agrícolas contribuem para a poluição por microplásticos oceânicos. A identificação das praias como sumidouros temporários e a influência das rotas de drenagem diretas são passos importantes para desvendar um problema ambiental complexo e multifacetado. É fundamental que a conscientização sobre o uso de fertilizantes revestidos com polímeros cresça, impulsionando o desenvolvimento e a adoção de alternativas mais sustentáveis na agricultura. [12] Proteger nossos oceanos e ecossistemas costeiros exige um esforço conjunto para reduzir a fonte de poluição na origem, garantindo a saúde do planeta para as futuras gerações.










