A Bahia se posiciona em um patamar intermediário no financiamento estadual da ciência, um cenário que aponta tanto para desafios persistentes quanto para um potencial significativo de avanço. Esta colocação, revelada por análises recentes sobre investimentos em pesquisa e desenvolvimento, sublinha a necessidade de estratégias mais robustas para consolidar o estado como um polo inovador. O equilíbrio entre o que já foi conquistado e o que ainda precisa ser investido define a trajetória da inovação baiana.

Historicamente, a região Nordeste do Brasil enfrenta disparidades regionais em relação ao investimento em ciência e tecnologia. Enquanto estados do Sul e Sudeste frequentemente lideram os rankings de aportes financeiros e produção científica, a Bahia tem buscado um espaço próprio, impulsionada por instituições de pesquisa e universidades renomadas. No entanto, a posição intermediária sugere que, apesar dos esforços, o estado ainda não atingiu o patamar desejado para competir plenamente no cenário nacional, especialmente em um período de contenção orçamentária para a pesquisa em nível federal.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, frequentemente destacam que o investimento público em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil ainda é concentrado, com a maior parte dos recursos distribuída em poucas unidades da federação. Para a Bahia, isso significa que a dependência de verbas federais ou a falta de um plano de longo prazo para o financiamento da ciência podem limitar o crescimento de setores estratégicos e a formação de capital humano qualificado. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) desempenha um papel crucial nesse ecossistema, mas sua capacidade de atuação é diretamente proporcional ao suporte orçamentário que recebe.

O cenário do investimento em pesquisa e desenvolvimento na Bahia

A posição intermediária da Bahia no financiamento da ciência reflete uma complexidade de fatores. Segundo um relatório da Rede de Informações e Indicadores de C&T (Rede Ricit), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o investimento per capita em pesquisa e desenvolvimento na Bahia, embora relevante para a região, ainda está aquém de estados como São Paulo ou Minas Gerais. Em 2022, por exemplo, o orçamento da FAPESB, a principal agência de fomento à pesquisa no estado, foi de aproximadamente R$ 40 milhões, um valor que, apesar dos esforços, é considerado modesto frente às demandas de um estado com a dimensão e a população da Bahia.

Essa realidade impacta diretamente a capacidade das universidades e centros de pesquisa locais de desenvolver projetos de ponta, atrair talentos e reter pesquisadores. A falta de recursos contínuos pode levar à interrupção de estudos promissores e à migração de cérebros para outras regiões ou países. Um estudo da CNI sobre inovação apontou que estados com ecossistemas de P&D mais robustos tendem a ter maior participação na economia de alto valor agregado. Para a Bahia, isso significa que a ampliação do financiamento é um passo fundamental para diversificar sua economia, que ainda possui forte base em commodities.

Desafios e o potencial para a inovação baiana

Os desafios para a Bahia não se limitam apenas ao volume de recursos, mas também à sua destinação e à articulação entre governo, academia e setor produtivo. A criação de fundos estaduais de inovação, a exemplo do que ocorre em estados mais desenvolvidos, e a promoção de parcerias público-privadas poderiam catalisar o investimento em áreas estratégicas. Um relatório recente da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) sobre o cenário de inovação regional sugere que a Bahia tem um potencial inexplorado em setores como energias renováveis, biotecnologia e tecnologia da informação, áreas que poderiam se beneficiar enormemente de um maior aporte em pesquisa.

Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e outras instituições de ensino superior no estado frequentemente apontam que a intermitência dos recursos é um dos maiores entraves para o avanço da pesquisa, dificultando o planejamento de projetos de longo prazo e a manutenção de equipes qualificadas. Fortalecer esses centros de excelência é crucial para transformar a pesquisa em soluções concretas para a sociedade e a economia baiana, alinhando-se às diretrizes do MCTI para o desenvolvimento científico nacional.

A Bahia, com sua rica diversidade cultural e econômica, possui um ecossistema de pesquisa com grande potencial para se destacar ainda mais no cenário nacional. A posição intermediária no financiamento da ciência não deve ser vista como um limite, mas sim como um ponto de partida para a construção de políticas públicas mais assertivas e um engajamento maior do setor privado. Somente com um investimento contínuo e estratégico, aliado à valorização dos pesquisadores e à criação de um ambiente propício à inovação, o estado poderá transcender essa posição e colher os frutos de um desenvolvimento científico e tecnológico robusto, impulsionando sua economia e o bem-estar de sua população.