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Nassim Nicholas Taleb, economista especialista em mercados de risco e autor dos bestsellers “Cisne Negro” e “Antifrágil”, ficou conhecido por ter alertado sobre os riscos do mercado hipotecário dos EUA antes da crise financeira global de 2008, apontou em uma artigo que o bitcoin, a criptomoeda líder, perderá todo o seu valor no longo prazo. Denominado “Bitcoin, moedas e bolhas”, o material logo teve grande repercussão, em especial pelo tom pessimista num momento em que a moeda digital experimenta grande turbulência.

“O bitcoin não satisfaz a noção de ‘moeda sem governo’ (mostrou que nem mesmo é uma moeda), não pode ser uma reserva de valor no curto ou longo prazo (seu valor esperado não é maior que 0), não pode funcionar como um hedge confiável contra a inflação e, o pior de tudo, não constitui, nem mesmo remotamente, um porto seguro para investimentos, um escudo contra a tirania governamental ou um veículo de proteção para episódios catastróficos”, argumentou o especialista.

Segundo ele, a quantidade limitada de bitcoins – somente 21 milhões serão emitidos – tornará essa atividade menos atraente para os mineradores quando todas estiverem disponíveis e com isso o valor da criptomoeda não conseguirá se manter ao longo do tempo.

Outro ponto importante são o que considera os ‘defeitos’ da criptomoeda como sistema de pagamento, seus altos custos de transação, atrasos na atualização do software do sistema, e a contradição entre um ativo que aspira a ser meio de pagamento, mas ao mesmo tempo gera lucros principalmente porque oscila constantemente de preço.

Na verdade, Taleb admitiu que já investiu em bitcoin, mas vendeu tudo em fevereiro, quando a criptomoeda líder começou a ganhar valor de mercado mais rapidamente. “Estou me livrando dos meus BTCs. Por quê? Uma moeda nunca deve ser mais volátil do que o que você compra e vende com ela”, escreveu em sua conta no Twitter. Ele já vinha fazendo críticas do bitcoin há anos e em suas palestras compara a criptomoeda a uma fraude, destacando que seu movimento de preços cria uma bolha. Em um tuíte dia 29 de maio, classificou o bitcoin como “uma esquema de pirâmide de um trilhão de dólares”.

O valor do Bitcoin é 0

“O sistema estabelece uma colaboração adversa entre os chamados ‘mineradores’, que validam as transações registrando-as em um livro-razão público. Eles obtêm criptomoedas como recompensa acrescida de uma cota das transações agregadas, ou seja, as transferências de moedas entre as partes. O método de prova de trabalho (PoW) tem grau de dificuldade ajustável em função da velocidade das transações, o que visa, em tese, manter o incentivo alto o suficiente para que os mineradores continuem operando o sistema. São esses ajustes que levam a um aumento exponencial do poder computacional. Isso significa que no momento que este artigo é escrito, eles estão utilizando uma energia onerosa para o sistema e essa energia poderia ser usada para outras demandas computacionais e científicas”, começa Taleb, reforçando as críticas ao alto consumo de energia da mineração de criptomoedas.

Contudo, o ponto central do seu argumento é outro. Para ele, o sistema limitado de mineração tornará o bitcoin desinteressante. “Os mineradores recebem sua compensação tanto da senhoriagem (o valor de mercado de um bitcoin menos seu custo de mineração) quanto das taxas de transação no momento da validação. O plano a longo prazo é tornar as taxas de transação como a única receita após as moedas se esgotarem, pois são limitadas a um número fixo”, continuou ele.

O analista entende que o bitcoin ainda é atraente porque desperta o interesse dos mineradores, mas em algum ponto eles deixarão de se preocupar com o bitcoin e abandonarão a moeda. Taleb conclui que “Não podemos esperar que uma entrada em um livro-razão que requer manutenção ativa por pessoas interessadas e motivadas manterá sua presença física, uma condição para o valor monetário, por um período tão longo de tempo. Por certo não temos certeza dos interesses, modos de pensar e preferências das gerações futuras. Quando todo bitcoin for minerado, colidirá com uma barreira de absorção e seu preço permanecerá sendo 0 ″.

Parece uma raciocínio, radical  mas a comparação de Taleb é com a lógica que rege o preço de outros ativos. “Ouro e outros metais preciosos não se deterioram, por isso não requerem nenhum tipo de manutenção no futuro e não precisam de manutenção num ‘sistema’ para atualizar suas propriedades físicas ao longo do tempo. As criptomoedas precisam de um interesse constante, o que não deve se manter”, finaliza.

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