A controvérsia em torno do novo Havaianas comercial, que supostamente conteria mensagens políticas subliminares, foi categoricamente refutada por um especialista. “É muito improvável”, afirma o professor de marketing Dr. Carlos Andrade, da ESPM, em declaração ao [Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC](https://timesbrasil.com.br/havaianas-comercial-mensagem-subliminar-politica/). A discussão levanta questões importantes sobre a interpretação do público e as estratégias de comunicação de grandes marcas.
O debate surgiu após a veiculação de uma nova campanha da marca de sandálias, com alguns espectadores interpretando certos elementos visuais como alusões a ideologias políticas específicas. Em um cenário social e político cada vez mais polarizado, a análise de qualquer material de publicidade sob uma lente crítica se intensifica, buscando significados que nem sempre correspondem à intenção do anunciante. A delicadeza em navegar por este terreno exige das empresas uma clareza estratégica para evitar ruídos e preservar a reputação.
Para marcas com alcance massivo como a Havaianas, associar-se a pautas políticas explícitas ou implícitas representa um risco considerável. A base de consumidores da empresa é vasta e diversificada, e qualquer posicionamento que possa ser interpretado como partidário tem o potencial de alienar uma parcela significativa de seu público. A busca por uma comunicação universal e apolítica, embora desafiadora, costuma ser a diretriz para produtos de consumo em massa.
A complexidade da percepção de marca e a intenção subliminar
A premissa de que um Havaianas comercial conteria uma mensagem subliminar política ignora a complexidade da comunicação em massa e a própria natureza da publicidade subliminar. Academicamente, o conceito de mensagem subliminar, aquela percebida abaixo do limiar da consciência, tem sido amplamente debatido e, em grande parte, desacreditado em termos de sua eficácia em influenciar decisões complexas como escolhas políticas ou de compra em larga escala. Um [estudo da Universidade de Harvard sobre comunicação e persuasão](https://hbr.org/2012/05/the-subtle-science-of-making-decisions) aponta que a influência mais eficaz opera em níveis conscientes ou pré-conscientes, mas raramente de forma “oculta” no sentido popular.
Dr. Andrade explica que, embora os publicitários busquem criar associações emocionais e simbólicas, a intenção raramente é esconder uma agenda política. “A publicidade de grandes marcas é projetada para ser amplamente compreendida e, acima de tudo, para vender um produto, não uma ideologia política específica. O risco de uma interpretação negativa e o custo de um recall são altos demais para uma estratégia tão arriscada e de eficácia duvidosa”, comenta o professor. A leitura de símbolos e cores é cultural e subjetiva, o que torna difícil controlar todas as possíveis interpretações do público, especialmente em um ambiente saturado de informações e opiniões.
Riscos e recompensas: por que marcas evitam o explícito político
A decisão de uma marca de se posicionar politicamente é estratégica e geralmente ocorre de forma explícita, alinhando-se a valores amplamente aceitos ou a causas sociais específicas, e não a espectros partidários. Empresas que optam por essa via costumam fazê-lo com transparência, como visto em campanhas de responsabilidade social ou ambiental. No entanto, o cenário político brasileiro, caracterizado por profundas divisões, torna ainda mais perigosa a adoção de um discurso velado. A [Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP)](https://abap.com.br/noticias/) frequentemente orienta seus membros sobre a importância da ética e da clareza na comunicação, desaconselhando táticas que possam enganar ou manipular o consumidor.
O custo de uma crise de imagem, gerada por uma percepção de alinhamento político indesejado, pode ser devastador para uma marca consolidada. Além de boicotes de consumidores, há o potencial de críticas na mídia, perda de valor de mercado e danos irreparáveis à reputação. Por outro lado, o benefício de uma mensagem subliminar política, mesmo que bem-sucedida em influenciar um pequeno grupo, é desproporcionalmente pequeno em comparação com os riscos. A Havaianas, ao longo de sua história, construiu uma imagem de brasilidade, leveza e universalidade, atributos que seriam comprometidos por uma associação política explícita ou velada.
A análise de especialistas e a lógica de mercado sugerem que a probabilidade de o Havaianas comercial conter uma mensagem política subliminar é, de fato, ínfima. O episódio serve como um lembrete da vigilância do público e da sensibilidade do contexto atual, onde a interpretação de qualquer conteúdo pode ser ampliada e distorcida nas redes sociais. Para as marcas, a lição é clara: a transparência e a consonância entre a mensagem e os valores da empresa são mais cruciais do que nunca para navegar em um ambiente onde cada detalhe pode ser escrutinado e politizado. O desafio reside em comunicar de forma criativa sem abrir margem para interpretações que possam desviar o foco do produto ou da essência da marca.












