Embark Studios, a desenvolvedora sueca por trás de títulos como Arc Raiders, reafirmou sua posição sobre o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos, mesmo diante da recente repercussão negativa. A empresa mantém que a IA em games é uma ferramenta para expandir capacidades, não para substituir talentos humanos, conforme reportado pelo veículo GamesIndustry.biz.
A discussão sobre a adoção de IA na indústria de jogos tem se intensificado, com preocupações crescentes sobre o impacto na criação de empregos e na originalidade artística. No entanto, a Embark Studios tem demonstrado uma abordagem cautelosa, buscando integrar a tecnologia de forma estratégica para otimizar seus processos de produção.
Essa postura reflete um debate mais amplo no setor de tecnologia e entretenimento, onde empresas buscam equilibrar a inovação impulsionada pela IA com as expectativas e receios de suas comunidades e profissionais. A forma como a Embark navega essa complexidade oferece um estudo de caso relevante sobre o futuro do desenvolvimento de jogos.
A perspectiva da Embark sobre a inteligência artificial
Virgil Watkins, diretor de arte da Embark Studios, destacou em entrevista ao PCGamesN que a IA tem atuado como um “desbloqueio” para a equipe. Ele explicou que a tecnologia permite realizar tarefas que antes eram inviáveis devido à capacidade limitada. Um exemplo citado foi o uso de texto-para-voz para personagens dublados em Arc Raiders, uma solução para a falta de recursos internos na época.
Watkins enfatizou que a empresa não pretende “abrir as comportas” para todos os tipos de IA. O foco é construir as melhores ferramentas possíveis, explorando tecnologias emergentes para sustentar a escala de conteúdo com a equipe atual. A qualidade e o propósito da aplicação da IA são constantemente revisados, com a pergunta central sendo se a ferramenta realmente agrega valor ao jogo.
Entre a inovação e o receio da comunidade
Apesar da clareza da Embark sobre sua estratégia, a empresa não está alheia às preocupações manifestadas pela comunidade de jogadores e desenvolvedores. Patrick Söderlund, CEO e fundador da Embark Studios, já havia se pronunciado anteriormente, garantindo que a IA não é utilizada para reduzir o investimento em pessoas, reforçando que a indústria de jogos é, acima de tudo, uma “indústria de pessoas”.
O sucesso de Arc Raiders, que recentemente alcançou a marca de 12 milhões de cópias vendidas e 3,2 milhões de usuários ativos diários, sugere que, apesar das controvérsias, o público continua engajado com os produtos da Embark. Esse cenário complexo sublinha o desafio de inovar com IA sem alienar a base de talentos e consumidores.
A Embark Studios demonstra uma visão pragmática em relação à inteligência artificial, utilizando-a como um meio para alcançar objetivos de desenvolvimento específicos, ao invés de uma solução universal. A empresa continuará a explorar o potencial da tecnologia, mas com um olhar atento à qualidade e à relevância para a experiência do jogador, sempre ciente das discussões e apreensões que permeiam o ambiente da IA em games.





