Patrick Söderlund, CEO da Embark Studios, veio a público para esclarecer o papel da inteligência artificial (IA) no desenvolvimento de seus aclamados títulos, como Arc Raiders e The Finals. Ele assegura que a tecnologia é uma ferramenta de otimização e não um meio para substituir talentos humanos na equipe. A declaração do líder da empresa sueca surge em meio a debates crescentes sobre o impacto da IA na indústria de jogos, reafirmando o compromisso da Embark com seus colaboradores. O uso de IA em jogos Embark, segundo Söderlund, visa acelerar processos e não cortar empregos.
A discussão sobre a inteligência artificial no setor de entretenimento digital intensificou-se nos últimos meses, levantando preocupações sobre a segurança de empregos e a autenticidade criativa. A Embark Studios, criadora do popular shooter de extração Arc Raiders, que se tornou o lançamento global mais bem-sucedido na história da Nexon, sua empresa-mãe, tem sido um dos estúdios sob escrutínio devido à sua abordagem inovadora com a IA. Söderlund enfatiza que a essência da criação de jogos permanece inerentemente humana.
Ele ressalta que a indústria de jogos é, fundamentalmente, uma “indústria de pessoas”, e que a estratégia da Embark não envolve reduzir investimentos em capital humano. A visão do CEO busca desmistificar a percepção de que a IA está sendo implementada para enxugar equipes, focando em como ela pode aprimorar a eficiência e permitir que desenvolvedores dediquem seu tempo a tarefas mais criativas e significativas.
Otimização de processos e a voz dos talentos
Söderlund detalhou que a aplicação da inteligência artificial na Embark se concentra na eliminação de trabalhos tediosos e repetitivos, liberando a equipe para focar em aspectos mais estratégicos e criativos do desenvolvimento. Um exemplo prático citado é o uso de vozes artificiais para agilizar as atualizações de jogos, permitindo que mudanças sejam implementadas rapidamente. No entanto, ele fez questão de enfatizar que a empresa mantém contratos com diversos dubladores, cujas vozes são remuneradas e continuam sendo uma peça central no quebra-cabeça da produção.
“Não usamos inteligência artificial para não ter que contratar pessoas ou substituir pessoas ou grupos de trabalho”, afirmou Söderlund em entrevista ao GamesBeat, conforme reportado pelo portal www.gamesindustry.biz. “Esse não é o ponto. Temos vários dubladores com quem trabalhamos sob contrato. Trabalhamos com eles continuamente e continuaremos trabalhando com eles. Eles são, claro, uma peça central deste quebra-cabeça. Pagaremos por suas vozes, e às vezes usar uma voz artificial nos permite atualizar o jogo muito mais rápido.” Essa abordagem sugere um modelo híbrido, onde a IA complementa a mão de obra humana, em vez de competir com ela.
Suporte contínuo e a agilidade da inovação
A capacidade de oferecer suporte e atualizações constantes é outro ponto onde a IA tem se mostrado fundamental para a Embark. O CEO mencionou The Finals, um de seus títulos free-to-play, que tem recebido atualizações semanais substanciais desde seu lançamento. Ele argumentou que tal ritmo de melhorias seria inviável sem o auxílio da inteligência artificial, que complementa os investimentos em ferramentas, tecnologia e, crucialmente, “pessoas incríveis”.
“Não poderíamos ter construído os jogos que construímos ou atendido os jogos que fizemos”, disse Söderlund. “The Finals, por exemplo, tem sido atualizado toda semana, uma vez por semana, desde o dia em que o lançamos. Houve melhorias substanciais no jogo. Não poderíamos ter feito isso sem alguma ajuda da inteligência artificial, mas obviamente, o mais importante através de um investimento inteligente em ferramentas e pipelines, tecnologia e pessoas incríveis.” A fala reforça a ideia de que a IA é um facilitador, um recurso que potencializa a capacidade criativa e operacional das equipes, sem usurpar seu espaço.
A postura da Embark Studios, através de seu CEO Patrick Söderlund, delineia uma visão onde a inteligência artificial serve como um catalisador para a inovação e eficiência, e não como um substituto para o talento humano inerente à criação de jogos. Ao invés de prever um futuro onde os jogos são criados autonomamente por máquinas, a empresa aposta em uma sinergia entre tecnologia avançada e a criatividade humana, garantindo que a “indústria de pessoas” continue prosperando com o apoio de ferramentas inteligentes. O sucesso de Arc Raiders e a manutenção de The Finals atestam a validade dessa estratégia, que busca um equilíbrio entre avanço tecnológico e valorização do capital humano.










