A recente postura de Donald Trump, que incluiu ameaças militares a Cuba e Colômbia, além da controversa ideia de anexar a Groenlândia, sinaliza uma guinada perigosa na política externa americana. Essa abordagem, descrita como um imperialismo de “barão ladrão”, coloca em risco a economia e a credibilidade dos Estados Unidos no cenário global, conforme análise do Project Syndicate.

Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o ex-presidente pareceu mais audacioso em suas declarações, ameaçando também o Irã e flertando com a ideia de retomar o Canal do Panamá. A normalização da predação territorial e a percepção da política externa como um veículo para enriquecimento pessoal ameaçam desmantelar os alicerces da prosperidade e segurança americanas.

Essa conduta não apenas tensiona relações com adversários, mas também com aliados de longa data, como a Dinamarca, país ao qual a Groenlândia é um território autônomo e membro da OTAN. O impacto de tais ações pode reverberar por anos, exigindo uma oposição vocal para evitar danos irreparáveis à posição global dos EUA.

O custo econômico e a erosão da credibilidade americana

A visão de uma política externa pautada por aquisições territoriais e ganhos pessoais, característica do imperialismo de Trump, tem implicações econômicas severas. Alianças comerciais podem ser desfeitas, como visto nas guerras comerciais com Canadá, México e China, e investimentos estrangeiros diretos podem diminuir, afetando cadeias de suprimentos e mercados globais.

A credibilidade de um país como os EUA, construída ao longo de décadas, pode ser rapidamente corroída por ações unilaterais e agressivas. A abordagem de Trump é vista como um abandono da ordem liberal internacional pós-1945, priorizando o “America First” e uma política de força bruta em detrimento do multilateralismo.

Especialistas como Michael Hudson argumentam que a política tarifária de Trump beneficia a classe dos doadores ricos, sendo um programa neoliberal disfarçado, o que reforça a ideia do “barão ladrão” no contexto econômico. Isso desestimula a cooperação internacional e encoraja outras potências a adotarem táticas semelhantes, criando um ambiente de imprevisibilidade e desconfiança.

A desestabilização geopolítica e o abandono do multilateralismo

A ameaça de uma possível anexação da Groenlândia ilustra a profundidade da desconsideração pelas normas internacionais e pelas relações diplomáticas. Tal movimento abalaria seriamente a coesão da OTAN, enfraquecendo a frente unida contra desafios globais e abrindo caminho para a desestabilização regional.

Essa política externa transacional e, por vezes, hostil a aliados, tem gerado quedas significativas na opinião pública global sobre os EUA. Ao invés de um líder democrático, os EUA são vistos como uma força global desestabilizadora, fazendo com que aliados busquem formas de se isolar ou formar parcerias alternativas.

O abandono de organizações internacionais e o favorecimento do hard power em detrimento do soft power resultaram na cessão de influência global dos EUA, criando um vácuo preenchido por potências como a Rússia e a China. É crucial que democratas e republicanos que se opõem a essa visão se manifestem agora, como alertado pelo Project Syndicate, para evitar danos irreversíveis.

Em suma, a política externa agressiva e unilateral de Donald Trump representa um desafio significativo para a estabilidade global e para os próprios interesses americanos. A busca por ganhos territoriais e o tratamento da diplomacia como um meio de enriquecimento pessoal minam a credibilidade dos EUA e desestabilizam alianças cruciais. O futuro demandará uma reavaliação profunda desses princípios para restaurar a confiança e a cooperação internacional.