A insurgência maoísta na Índia, que em seu auge em 2013 exerceu influência considerável em 126 distritos, parece estar em seus estágios finais, um feito notável atribuído a uma abordagem holística e persistente focada no desenvolvimento. Este declínio marca um ponto de virada para o país, que por muito tempo enfrentou o que o ex-primeiro-ministro Manmohan Singh descreveu como o “maior desafio de segurança interna” já vivenciado.
No início deste século, enquanto a Índia emergia como uma das estrelas mais brilhantes da economia global, uma sombra escura pairava sobre seu coração: uma violenta insurgência maoísta. Por cerca de uma década e meia, a vasta área conhecida como Corredor Vermelho expandiu-se gradualmente, abrangendo partes de estados cruciais no leste, centro e sul do país.
A doutrina comunista revolucionária encontrou um público receptivo em comunidades rurais profundamente assoladas pela pobreza, analfabetismo e desigualdade econômica, fatores que alimentavam o descontentamento e a busca por alternativas radicais. Essa situação complexa resultou no que Manmohan Singh, ex-primeiro-ministro indiano, classificou como a “maior ameaça à segurança interna” que a Índia já havia enfrentado.
A abordagem multifacetada para a pacificação do Corredor Vermelho
O sucesso da Índia em conter a insurgência maoísta reflete uma estratégia estatal abrangente, que se distanciou de uma resposta puramente militar para adotar um modelo de segurança e desenvolvimento. Essa abordagem holística tem sido fundamental para desmantelar as bases de apoio dos naxalitas, como são conhecidos os insurgentes.
Um pilar central dessa estratégia é o investimento maciço em infraestrutura. Regiões outrora isoladas e carentes, que formavam o cerne do Corredor Vermelho, estão agora sendo conectadas através de novas rodovias, ferrovias e projetos de energia em grandes obras e projetos urbanos. A construção de milhares de quilômetros de estradas e a modernização da rede ferroviária não só facilitam o transporte de mercadorias, mas também permitem o acesso a serviços essenciais e o fluxo de informações, combatendo o isolamento que favorecia os rebeldes. Contudo, é importante notar que alguns projetos de infraestrutura, apoiados por entidades como o Banco Asiático de Desenvolvimento, também geraram críticas por seu impacto em áreas indígenas e florestais, como apontado pelo Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais.
Paralelamente, houve um foco renovado em programas sociais e econômicos para combater as causas-raiz da insurgência. Ao oferecer oportunidades de emprego, educação e acesso à saúde, o governo busca mitigar a pobreza e a desigualdade que historicamente impulsionaram o recrutamento para os grupos maoístas. A presença do Estado, antes frágil, é reforçada através de melhor governança e serviços públicos, minando a narrativa de abandono explorada pelos insurgentes.
Do ponto de vista da segurança, a atuação persistente das forças indianas tem sido crucial. Operações bem-sucedidas resultaram na neutralização de líderes e quadros importantes do Partido Comunista da Índia (Maoísta), como Nambala Keshav Rao, secretário-geral do PCI-Maoísta, morto em maio de 2025, conforme noticiado pela Folha PE. Esses golpes estratégicos desorganizam a liderança rebelde e enfraquecem sua capacidade de coordenação e ataque, limitando a insurgência a bolsões cada vez menores.
A diminuição da insurgência maoísta na Índia é um testemunho da eficácia de uma estratégia que equilibra a segurança com o desenvolvimento, demonstrando que desafios complexos de segurança interna podem ser superados através de uma abordagem multidimensional. Embora a vigilância seja indispensável para evitar o ressurgimento da ameaça, a trajetória atual indica que a Índia está consolidando a paz em regiões que por décadas foram palco de violência. Este modelo pode oferecer insights valiosos para outras nações que enfrentam desafios semelhantes, mostrando que o investimento no bem-estar social e na infraestrutura é tão potente quanto a ação militar na construção de uma paz duradoura.











