Janaína e Max têm direcionado suas recentes ações de comunicação para um enfoque estratégico no "marketing familiar", visando solidificar uma imagem majoritária e mais acessível junto ao público. A estratégia, que ganha destaque em reportagens recentes, busca humanizar sua figura pública ao integrar elementos da vida pessoal e familiar na narrativa política, um movimento calculado para ampliar a base de apoio.
Este tipo de abordagem não é novidade no cenário global, mas sua aplicação atual por figuras como Janaína e Max reflete uma tendência de personalização da política. Em um ambiente onde a confiança nas instituições declina, conforme apontado pelo Relatório de Confiança do Edelman Trust Barometer, a autenticidade e a proximidade se tornam moedas valiosas. Ao apresentar-se como parte de uma estrutura familiar estável e tradicional, buscam ressoar com valores que muitas parcelas da sociedade ainda prezam, criando um elo emocional que transcende as propostas programáticas.
O objetivo final é construir uma percepção de liderança que seja não apenas competente, mas também empática e "gente como a gente", facilitando a identificação e a aceitação por um eleitorado mais amplo e diversificado.
A construção da imagem e a percepção do eleitorado
A incorporação da família na estratégia de comunicação política visa, primeiramente, gerar empatia e credibilidade. Estudos em psicologia política, como os apresentados pelo Journal of Political Marketing, indicam que eleitores tendem a confiar mais em figuras públicas que demonstram estabilidade familiar e valores domésticos. Essa conexão emocional pode ser um diferencial crucial em campanhas acirradas, pois permite que os líderes se apresentem não apenas como políticos, mas como indivíduos com laços sociais e responsabilidades que espelham os de seus eleitores. A imagem de um casal ou de uma família unida projeta estabilidade, responsabilidade e um senso de comunidade, atributos frequentemente associados a uma liderança confiável.
No caso de Janaína e Max, a exibição de momentos familiares cuidadosamente selecionados em plataformas digitais e eventos públicos humaniza a dupla, afastando-os da imagem muitas vezes fria e distante da política tradicional. Essa tática é particularmente eficaz para alcançar públicos que valorizam a tradição e a moral familiar, além de suavizar arestas e criar uma aura de normalidade e identificação. O foco não está apenas em quem eles são como líderes, mas em quem eles são como pais, cônjuges e membros de uma comunidade, apelando diretamente ao lado mais pessoal e emocional do processo decisório do eleitor.
Riscos e desafios do marketing familiar na política
Embora o marketing familiar possa ser uma ferramenta poderosa, ele não está isento de riscos significativos. A linha entre a autenticidade genuína e a percepção de manipulação é tênue. Se a imagem familiar for vista como artificial ou meramente instrumental, pode gerar ceticismo e até repulsa. A exposição da vida privada também abre precedentes para escrutínio e críticas, não apenas sobre os políticos, mas sobre seus familiares, que podem não ter escolhido a vida pública. Um incidente familiar ou uma discordância interna, se tornada pública, pode ter um impacto desproporcionalmente negativo na imagem cuidadosamente construída.
Especialistas em comunicação política, como a pesquisadora Maria Clara Silva, da Fundação Getúlio Vargas, alertam para a necessidade de equilíbrio. "A superexposição ou a idealização excessiva da vida familiar pode alienar eleitores que não se identificam com esse modelo ou que buscam uma abordagem mais pragmática da política", explica Silva. Além disso, a estratégia pode ser percebida como uma fuga de debates substanciais, priorizando a emoção sobre a racionalidade e as propostas concretas. A sustentabilidade a longo prazo de uma imagem baseada predominantemente em laços familiares também é questionável, pois a política exige a capacidade de enfrentar desafios complexos que vão além do âmbito doméstico.
O investimento de Janaína e Max no marketing familiar sublinha uma compreensão aguda das dinâmicas contemporâneas da comunicação política. A estratégia oferece um caminho para forjar laços emocionais e construir uma imagem de liderança mais humana e próxima. No entanto, o sucesso duradouro dependerá de sua capacidade de equilibrar a narrativa familiar com a substância de suas propostas e ações. O desafio reside em manter a autenticidade e a relevância, garantindo que a família seja um pilar de sua imagem, e não uma distração ou uma artimanha. O futuro da construção de imagem majoritária pode muito bem passar por essa delicada interseção entre o público e o privado, exigindo uma navegação cuidadosa para evitar armadilhas e consolidar uma conexão genuína com o eleitorado.












