Uma quantidade assustadora de partículas plásticas microscópicas está flutuando no ar das cidades, revelou uma pesquisa recente da Academia Chinesa de Ciências. Estes achados superam em muito as estimativas anteriores, apontando a atmosfera como um reservatório significativo e subestimado de poluição plástica. O estudo, divulgado em 12 de janeiro de 2026 pelo portal ScienceDaily, destaca a importância da poeira das estradas e da chuva na movimentação desses poluentes.

Nos últimos vinte anos, cientistas têm identificado microplásticos (MPs) e nanoplásticos (NPs) como uma forma crescente de contaminação ambiental. Essas minúsculas partículas foram encontradas em todos os principais componentes do sistema terrestre, incluindo hidrosfera, litosfera e biosfera. Sua distribuição generalizada é uma preocupação crescente para pesquisadores que estudam ciclos biogeoquímicos e mudanças climáticas.

Apesar do reconhecimento da ubiquidade do plástico, muitas questões fundamentais permanecem sem resposta. A falta de medições precisas sobre a quantidade de plástico, sua origem, transformações ambientais e acúmulo final é particularmente evidente na atmosfera. Os métodos tradicionais de detecção e análise de partículas, que variam de tamanhos microscópicos a nanométricos, sempre apresentaram desafios significativos.

A dimensão oculta da poluição plástica

Para superar as limitações de medição, pesquisadores do Instituto de Meio Ambiente da Terra da Academia Chinesa de Ciências (IEECAS) desenvolveram uma técnica microanalítica semiautomática. Essa metodologia foi projetada para quantificar partículas plásticas na atmosfera e rastrear seu movimento entre diferentes vias ambientais, como partículas suspensas no ar, deposição de poeira, chuva e resuspensão de poeira.

A equipe aplicou essa abordagem em duas grandes cidades chinesas, Guangzhou e Xi’an. O sistema, que utiliza microscopia eletrônica de varredura controlada por computador, reduziu o viés humano em comparação com os métodos de inspeção manual. Isso permitiu que os cientistas identificassem partículas plásticas de forma mais consistente e em uma faixa de tamanho mais ampla, incluindo nanoplásticos de até 200 nm.

Os resultados foram surpreendentes. As concentrações de plástico em partículas suspensas totais (PST) e fluxos de deposição de poeira foram de duas a seis ordens de magnitude maiores do que os níveis relatados anteriormente por métodos de identificação visual. Essas descobertas, publicadas em 7 de janeiro na revista Science Advances, sugerem que estudos anteriores subestimaram significativamente a presença de plástico no ar.

Implicações para o clima e a saúde

O movimento estimado de MPs e NPs também variou amplamente nas vias atmosféricas, com diferenças de duas a cinco ordens de magnitude. Essa variação foi impulsionada principalmente pela resuspensão de poeira da estrada e pela deposição úmida. Além disso, as amostras coletadas da deposição continham partículas plásticas mais misturadas de forma desigual do que aquelas retiradas de aerossóis ou poeira resuspensa, indicando um aumento no agrupamento de partículas e sua remoção durante o transporte atmosférico.

Este estudo é pioneiro na detecção de nanoplásticos tão pequenos quanto 200 nm em amostras ambientais complexas. Ele oferece uma imagem quantitativa detalhada do plástico na atmosfera, que permanece o reservatório menos compreendido no ciclo global do plástico. Ao esclarecer como os plásticos se movem pelo ar, se transformam durante o transporte e são eventualmente removidos, a pesquisa oferece novos insights sobre seus potenciais efeitos nos processos climáticos, na saúde dos ecossistemas e no bem-estar humano.

A presença onipresente de microplásticos no ar urbano exige uma reavaliação urgente das estratégias de controle da poluição. Compreender suas vias de transporte e destino final é crucial para mitigar os impactos ambientais e de saúde. A pesquisa futura deve focar na quantificação dos riscos específicos que essas partículas representam para a vida humana e o planeta, pavimentando o caminho para soluções mais eficazes.