Uma nova esperança surge no horizonte para pacientes com câncer de mama triplo-negativo, um dos tipos mais agressivos e desafiadores da doença. Uma pesquisa recente da Medical University of South Carolina, publicada em 22 de janeiro de 2026, revelou um anticorpo experimental promissor que pode reverter as estratégias de sobrevivência do tumor e reativar as defesas imunológicas do corpo.
O câncer de mama triplo-negativo (CMTN) representa cerca de 10% a 15% de todos os casos de câncer de mama e é particularmente perigoso por sua rápida evolução e alta taxa de metástase. No Brasil, a incidência pode chegar a 29% em algumas estimativas, sendo responsável por aproximadamente 25% dos óbitos globais relacionados à doença. A ausência de receptores hormonais e da proteína HER2 impede o uso de terapias direcionadas, tornando o tratamento mais complexo e com prognóstico menos favorável.
Este subtipo afeta mais frequentemente mulheres jovens, com menos de 40 anos, e é mais comum em populações latinas, negras ou com mutação no gene BRCA1. A taxa de sobrevida em cinco anos para o CMTN é significativamente menor em comparação com outros tipos de câncer de mama, ressaltando a urgência por novas abordagens terapêuticas.
Um novo anticorpo contra o câncer de mama triplo-negativo
O foco do estudo, conforme detalhado no ScienceDaily, foi a proteína Secreted Frizzled-Related Protein 2 (SFRP2), um fator-chave para a proliferação tumoral. A SFRP2 atua incentivando a formação de novos vasos sanguíneos, evitando a morte das células cancerígenas e suprimindo as células imunes que, de outra forma, combateriam o câncer. Pesquisas anteriores já haviam estabelecido o papel da SFRP2 no desenvolvimento e metástase de tumores, bem como na angiogênese tumoral.
A equipe de pesquisadores do MUSC Hollings Cancer Center, liderada pela oncologista cirúrgica Nancy Klauber-DeMore, desenvolveu um anticorpo monoclonal humanizado projetado para se ligar precisamente à SFRP2 e bloquear seus efeitos pró-câncer. Em testes pré-clínicos, o tratamento demonstrou resultados promissores, diminuindo o crescimento de tumores primários, reduzindo a disseminação do câncer para os pulmões e destruindo células cancerígenas resistentes à quimioterapia.
Reativando as defesas do corpo
Um dos aspectos mais inovadores deste novo anticorpo é sua capacidade de reprogramar o sistema imunológico ao redor do tumor. Os cientistas observaram que a SFRP2 estava presente não apenas nas células cancerígenas, mas também em células imunes próximas, como os macrófagos. Após o tratamento com o anticorpo, os macrófagos, que no CMTN tendem a suprimir a atividade imune (macrófagos M2), foram impulsionados de volta ao estado de combate ao câncer (macrófagos M1) através da liberação de interferon-gama.
Além disso, o anticorpo restaurou a atividade das células T, outra parte crucial da resposta imune que frequentemente se torna exausta no câncer de mama triplo-negativo. Essa reativação do sistema imunológico representa um avanço significativo, oferecendo uma maneira de fortalecer as defesas do corpo sem os efeitos tóxicos diretos de outras terapias. A imunoterapia, que já se consolidou como uma estratégia importante para o CMTN, ganha um novo aliado com este mecanismo de ação direcionado.
Embora os resultados iniciais sejam pré-clínicos, a descoberta deste anticorpo experimental abre caminhos para tratamentos mais eficazes e com menos toxicidade para o câncer de mama triplo-negativo. A expectativa é que essa pesquisa possa, em breve, traduzir-se em novas opções terapêuticas que melhorem significativamente a sobrevida e a qualidade de vida das pacientes. O futuro da oncologia de mama parece estar cada vez mais focado em abordagens que armam o próprio corpo contra a doença.










