Um novo estudo da Universidade de Washington em St. Louis lança sérias dúvidas sobre a existência de vida sob o gelo da lua Europa, um dos corpos celestes mais promissores para a busca de organismos extraterrestres. Publicada em 7 de janeiro de 2026, a pesquisa sugere que o oceano subsuperficial de Europa, embora vasto, pode ser um ambiente frio e geologicamente inativo, com pouca energia para sustentar formas de vida.

Por décadas, a possibilidade de um oceano de água salgada sob a espessa camada de gelo de Europa alimentou a esperança de que a lua de Júpiter pudesse abrigar vida. Essa perspectiva a elevou a um dos alvos mais importantes para a exploração espacial. No entanto, o trabalho liderado pelo professor Paul Byrne questiona essa premissa central, alterando a compreensão sobre a habitabilidade potencial de Europa.

A equipe de Byrne modelou o tamanho, a estrutura interna e a influência gravitacional de Júpiter sobre Europa, concluindo que há poucas evidências de movimento tectônico, fontes hidrotermais ou outras fontes de energia tipicamente associadas a ambientes habitáveis no fundo do oceano. Esta falta de atividade geológica é um fator crucial, já que a energia interna é vista como um motor essencial para a química da vida.

A inatividade geológica de Europa

Diferentemente da lua vulcânica Io, que é constantemente moldada por forças de maré intensas de Júpiter, Europa experimenta forças de maré significativamente mais fracas. Essas forças são insuficientes para gerar o calor interno necessário para impulsionar a atividade geológica no leito oceânico, conforme detalhado no estudo da Washington University em St. Louis, divulgado no ScienceDaily.com.

O professor Paul Byrne, associado de ciências da Terra, ambientais e planetárias, enfatiza que, se uma sonda submarina explorasse o oceano de Europa, “não veríamos fraturas novas, vulcões ativos ou plumas de água quente no fundo do mar. Geologicamente, não há muita coisa acontecendo lá embaixo. Tudo estaria quieto.” Essa tranquilidade geológica, em um mundo congelado, aponta para um oceano sem vida.

Os pesquisadores estimam que a camada de gelo de Europa tem entre 15 e 25 km de espessura, cobrindo um oceano global que pode atingir profundidades de até 100 km. Apesar de ser menor que a Lua da Terra, Europa conteria muito mais água. Sob o oceano, existe um núcleo rochoso, mas, ao contrário do interior da Terra, o núcleo de Europa teria esfriado há bilhões de anos, dissipando qualquer calor interno significativo.

Implicações para a busca de vida

A ausência de aquecimento de maré robusto é um divisor de águas para a habitabilidade de Europa. Enquanto o aquecimento de maré mantém a lua parcialmente líquida, ele não parece ser forte o suficiente para alimentar a atividade geológica substancial no fundo do mar que poderia gerar os compostos químicos necessários para sustentar a vida.

Byrne observa que “a energia simplesmente não parece estar lá para sustentar a vida, pelo menos hoje.” Esta nova perspectiva exige uma reavaliação das estratégias de exploração futura, sugerindo que missões a Europa precisem considerar cenários de um oceano mais estático do que se imaginava. O estudo, publicado na Nature Communications, contou com a colaboração de Philip Skemer, Jeffrey Catalano, Douglas Wiens e Henry Dawson.

Entender a geologia do fundo do mar de Europa é crucial, não apenas para a questão da habitabilidade, mas também para a compreensão da formação e evolução de luas geladas. A pesquisa continua a desvendar os mistérios de nosso sistema solar, mesmo que o caminho para a descoberta de vida seja mais complexo do que o esperado.

A pesquisa recente redefine as expectativas para a habitabilidade de Europa, apontando para um oceano vasto, mas provavelmente inativo. Embora a existência de água líquida permaneça um fato excitante, a ausência de um motor geológico ativo no fundo do mar reduz as chances de encontrar vida complexa. As próximas missões a Europa terão o desafio de investigar um ambiente potencialmente mais desolado, mas igualmente fascinante, para desvendar os segredos de sua formação e história.