Nvidia, Siemens e Commonwealth Fusion Systems (CFS) anunciaram na CES 2026 uma colaboração estratégica para usar a inteligência artificial na aceleração do desenvolvimento da fusão nuclear como fonte de energia limpa. A parceria visa criar um “gêmeo digital” do reator SPARC da CFS, otimizando a pesquisa por uma solução energética ilimitada. Este anúncio foi um dos destaques do segundo dia da feira de tecnologia em Las Vegas, conforme reportado pela Fast Company.

A união entre a expertise em computação avançada da Nvidia, a liderança em automação industrial da Siemens e a inovação em fusão nuclear da CFS representa um marco significativo na busca por alternativas energéticas sustentáveis. A fusão nuclear, processo que alimenta o Sol, promete uma fonte de energia abundante e sem emissões de carbono, mas apresenta desafios complexos de engenharia e física.

No palco da CES, o presidente e CEO da Siemens, Roland Busch, e o CEO da Nvidia, Jensen Huang, destacaram a importância de uma nova revolução industrial impulsionada pela IA. A parceria com a CFS exemplifica como as tecnologias de IA e gêmeos digitais podem transformar setores de alto impacto, como a produção de energia, reinventando a forma como os projetos são concebidos e executados.

A inteligência artificial e o gêmeo digital do SPARC

O cerne da colaboração reside na criação de um gêmeo digital de alta fidelidade para o reator SPARC da Commonwealth Fusion Systems, que está cerca de 70% completo em Massachusetts. Este modelo virtual permitirá que os pesquisadores executem simulações complexas, testem hipóteses e analisem dados rapidamente, comprimindo anos de experimentação manual em semanas de aprendizado e otimização.

A Nvidia contribuirá com sua plataforma Omniverse para simulações de alta fidelidade e capacidade de computação de IA, enquanto a Siemens fornecerá seu software industrial, incluindo o Digital Twin Composer, para design e manufatura. Bob Mumgaard, CEO da CFS, enfatizou que essa abordagem permitirá fazer perguntas ao simulador para acelerar o progresso na máquina física e analisar dados rapidamente, transformando o desenvolvimento da fusão nuclear.

A tecnologia de gêmeos digitais da Siemens já é reconhecida por sua capacidade de otimizar processos industriais, desde o planejamento urbano até a manufatura. Ao aplicar essa expertise a um projeto tão ambicioso quanto a fusão nuclear, as empresas esperam superar barreiras que antes pareciam intransponíveis, como o controle do plasma em temperaturas extremas e a previsão de seu comportamento.

Caminho para uma energia limpa e ilimitada

A fusão nuclear, que busca replicar o processo de geração de energia do Sol, é vista como uma solução definitiva para as crescentes demandas energéticas globais, oferecendo uma fonte praticamente ilimitada e livre de carbono. O projeto SPARC, desenvolvido em colaboração com o MIT, é um protótipo para a futura usina de energia de fusão ARC, que deverá se conectar à rede elétrica no início da década de 2030, gerando cerca de 400 megawatts, o suficiente para abastecer grandes instalações industriais ou aproximadamente 150.000 residências.

A instalação do primeiro de 18 ímãs no reator SPARC, anunciada também na CES 2026, marca um avanço tangível na construção da máquina física. A capacidade de testar e refinar ideias virtualmente, sem riscos ao equipamento real, é um “divisor de águas”, segundo Raffi Nazikian, líder de ciência de dados de fusão da General Atomics, que também colabora com a Nvidia em projetos de gêmeos digitais para reatores de fusão.

A parceria entre Nvidia e Siemens na CES 2026 sublinha a crescente convergência entre a inteligência artificial e a infraestrutura industrial pesada. Ao alavancar o poder da simulação e da análise de dados em tempo real, as empresas não estão apenas acelerando a pesquisa em fusão nuclear, mas também estabelecendo um novo paradigma para a inovação em energia. O futuro da energia limpa pode estar mais próximo do que imaginamos, impulsionado por essas colaborações tecnológicas de ponta.