O calor extremo está empurrando as abelhas-operárias para além de seus limites, comprometendo a capacidade de suas colmeias de manter a temperatura ideal e ameaçando populações vitais para a polinização global. Uma pesquisa recente revela que ondas de calor prolongadas causam flutuações térmicas perigosas, levando ao declínio de colônias e expondo os insetos a condições estressantes.
A habilidade das abelhas de controlar meticulosamente o clima interno de suas colmeias é uma maravilha natural, mantendo uma faixa de 34-36°C essencial para o desenvolvimento saudável da prole. Contudo, um estudo publicado na Ecological and Evolutionary Physiology, e divulgado pelo ScienceDaily em 13 de janeiro de 2026, acompanhou nove colônias de abelhas no Arizona durante um verão escaldante, com temperaturas frequentemente superando os 40°C.
Os resultados indicam que essa capacidade está sendo sobrecarregada, com consequências diretas para a sobrevivência das colônias. A equipe de pesquisa descobriu que, embora a temperatura média do ninho de cria central permanecesse dentro da faixa ideal, as áreas mais externas da cria sofriam variações significativas.
Isso significa que milhões de abelhas jovens estão sendo expostas a condições térmicas que podem comprometer seu desenvolvimento e, consequentemente, a resiliência de toda a colônia frente às crescentes ameaças climáticas.
Flutuações perigosas na colmeia e declínio populacional
Os pesquisadores observaram que, mesmo com o controle médio da temperatura, o interior das colmeias experimentava oscilações diárias consideráveis. As abelhas em desenvolvimento no centro do ninho de cria passavam cerca de 1,7 horas por dia abaixo das temperaturas ideais e aproximadamente 1,6 horas acima dessa faixa.
As condições eram muito mais severas nas bordas, onde as abelhas jovens ficavam expostas a temperaturas fora da janela segura por quase oito horas diárias. Essas variações repetidas tiveram consequências biológicas claras, com colônias expostas a picos de temperatura do ar mais elevados e maior variação interna sofrendo declínios no tamanho da população.
A pesquisa sugere que o calor excessivo, com máximas acima de 40°C, pode reduzir as populações ao prejudicar a termorregulação da cria ou expor adultos a temperaturas que encurtam suas vidas.
A resiliência das colônias maiores e o futuro da polinização
O tamanho da colônia emergiu como um fator crucial na capacidade das abelhas de se protegerem do calor. Colônias maiores conseguiram manter temperaturas internas mais estáveis. Nas colmeias menores, as temperaturas nas bordas externas do ninho de cria oscilavam até 11°C diariamente, em comparação com variações de cerca de 6°C nas colônias maiores.
Essa maior estabilidade permitiu que tanto as abelhas em desenvolvimento quanto as operárias adultas em colônias maiores passassem muito menos tempo expostas a temperaturas extremas, que poderiam ameaçar sua sobrevivência. Os desafios observados no Arizona podem se tornar cada vez mais comuns globalmente, conforme as projeções climáticas de relatórios como os do IPCC indicam um aumento da temperatura média global, tornando as ondas de calor mais frequentes e intensas.
A umidade elevada, que reduz a eficácia do resfriamento evaporativo – o principal mecanismo das abelhas para regular a temperatura da colmeia – pode agravar ainda mais o problema.
Diante desse cenário, a implementação de práticas de manejo adaptativas se torna vital para apicultores e para a sustentabilidade agrícola. Medidas como o fornecimento de água suplementar, a localização das colmeias em áreas sombreadas, a melhoria do design e isolamento das caixas, e o acesso a forragem de alta qualidade podem mitigar o estresse térmico e apoiar a estabilidade das colônias, conforme sugerido por órgãos de proteção a polinizadores.
A proteção das abelhas, essenciais para a polinização de um terço dos alimentos que consumimos, exige atenção urgente e estratégias inovadoras para um futuro mais quente.










