A abordagem de Donald Trump à diplomacia, marcada pela preferência por indivíduos sem experiência profissional em detrimento de diplomatas de carreira, levanta sérias questões sobre o futuro da influência dos Estados Unidos. Esta inclinação, que alguns veem como um reflexo de um anti-intelectualismo de longa data na política americana, pode ter consequências significativas para a posição global do país.

Analistas apontam que a marginalização de profissionais experientes em favor de amadores, que supostamente trariam novas perspectivas a conflitos intrincados, corre o risco de tornar os Estados Unidos mais vulneráveis e manipuláveis. A reunião recente entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e Donald Trump em Mar-a-Lago exemplifica essa preocupação, dado o tratamento protocolar recebido pelo líder ucraniano, que contrastou com a pompa dedicada a Vladimir Putin no ano anterior.

Este cenário sugere uma desvalorização da expertise diplomática, essencial para navegar as complexidades das relações internacionais. A falta de um corpo diplomático robusto e experiente pode comprometer a capacidade dos EUA de projetar poder, negociar acordos e proteger seus interesses estratégicos globalmente.

O impacto nas relações internacionais

A substituição de diplomatas de carreira por nomeados políticos, muitas vezes sem histórico em política externa, pode desestabilizar alianças e fortalecer adversários. A diplomacia exige nuances, conhecimento histórico e uma rede de contatos que leva anos para ser construída, elementos que amadores dificilmente podem replicar em curto prazo.

Conforme destacado por Jan-Werner Mueller em um artigo publicado no Project Syndicate em janeiro de 2026, a nação americana pode se tornar mais pobre, mais fraca e mais facilmente manipulável por seus adversários. A ausência de um acolhimento oficial a Zelensky em Miami, enquanto Putin foi recebido com grande aparato em Anchorage, sublinha uma potencial falha na percepção e na projeção de prioridades geopolíticas.

Essa política pode erodir a confiança de parceiros estratégicos, que dependem da consistência e previsibilidade da diplomacia americana. Em um mundo cada vez mais volátil, a ausência de uma liderança diplomática profissional e coesa pode criar vácuos que outras potências estão prontas para preencher, alterando o equilíbrio global de poder.

Prejuízos à influência americana

A reputação dos Estados Unidos como líder global em diplomacia e resolução de conflitos está em jogo. A capacidade de influenciar eventos e moldar a ordem internacional depende não apenas do poder militar ou econômico, mas também da habilidade de engajar-se diplomaticamente de forma eficaz e respeitosa.

A desvalorização do serviço exterior e a falta de investimento em quadros diplomáticos qualificados podem ter custos a longo prazo que superam qualquer economia imediata. A complexidade dos desafios globais, desde mudanças climáticas a conflitos regionais e crises econômicas, exige uma resposta coordenada e experiente que a diplomacia amadora simplesmente não pode oferecer.

Essas escolhas políticas podem levar a erros estratégicos, perdas de oportunidades e um declínio geral na capacidade dos EUA de defender e promover seus valores e interesses no palco mundial. A credibilidade e a eficácia da política externa americana dependem criticamente da competência e da experiência de seus representantes.

O cenário atual exige uma reflexão profunda sobre o valor da diplomacia profissional. Ignorar a expertise de diplomatas de carreira pode não só enfraquecer a posição dos Estados Unidos no cenário internacional, mas também comprometer sua segurança e prosperidade a longo prazo, deixando um legado de instabilidade e oportunidades perdidas para as futuras administrações.