Uma nova revisão científica de grande escala traz alívio para futuros pais: o paracetamol na gravidez não aumenta o risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual em crianças. Noticiado pelo ScienceDaily.com em janeiro de 2026, o estudo refuta preocupações anteriores.

Publicado na prestigiada revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, o trabalho foi liderado por especialistas da City St George’s, University of London. A pesquisa avaliou 43 estudos de alta qualidade para determinar a segurança do medicamento durante a gestação.

A iniciativa surgiu após preocupações de setembro de 2025, que sugeriam interferência da exposição pré-natal ao paracetamol no desenvolvimento cerebral. Estudos anteriores apontavam correlações estatísticas, mas eram limitados por dados incompletos ou falha em considerar genética e histórico familiar.

A importância das comparações entre irmãos

Para superar as lacunas dos estudos precedentes, a equipe de pesquisa priorizou evidências de maior qualidade, focando em análises que comparavam gestações com e sem o uso de paracetamol. Um ponto crucial foi a inclusão de estudos que examinaram irmãos nascidos da mesma mãe.

Essa metodologia de comparação entre irmãos é fundamental. Ela permite um controle mais eficaz sobre a genética compartilhada, o ambiente familiar e as características parentais de longo prazo. Fatores como esses são difíceis de isolar em estudos observacionais tradicionais.

Os dados dessas comparações foram extensos, abrangendo 262.852 crianças avaliadas para autismo, 335.255 para TDAH e 406.681 para deficiência intelectual. Em todos esses grupos, não se encontrou evidência de que o uso de paracetamol na gravidez aumentasse o risco de qualquer uma dessas condições.

O que os pesquisadores explicam sobre o paracetamol na gravidez

A Professora Asma Khalil, líder do estudo e especialista em Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal na City St George’s, University of London, esclareceu por que pesquisas anteriores podem ter gerado alarmes.

“Nossas descobertas sugerem que as ligações previamente relatadas são explicadas por predisposição genética ou outros fatores maternos, como febre ou dor subjacente, e não por um efeito direto do paracetamol em si”, afirmou a Professora Khalil.

A mensagem é clara: o paracetamol permanece uma opção segura durante a gravidez, desde que tomado conforme as orientações. “É o medicamento de primeira linha que recomendamos para gestantes com dor ou febre, e elas devem se sentir tranquilas por ter uma opção segura”, acrescentou a Professora Khalil.

A qualidade dos estudos incluídos na análise foi rigorosamente avaliada, utilizando a ferramenta QUIPS (Quality In Prognosis Studies), que estima o risco de viés. A ausência de ligação entre o paracetamol na gravidez e autismo, TDAH ou deficiência intelectual permaneceu consistente.

Os resultados tranquilizadores também foram observados em estudos que acompanharam as crianças por mais de cinco anos. Contudo, os autores notaram algumas limitações, como a falta de dados consistentes para investigar se os riscos diferiam por trimestre de exposição, sexo do bebê ou frequência de uso.

Em um cenário onde a segurança de medicamentos na gravidez é uma preocupação constante, esta revisão oferece uma base científica robusta. A validação do paracetamol como opção segura para o manejo da dor e febre em gestantes permite que profissionais de saúde o recomendem com confiança.

Isso alivia tanto o desconforto das mães quanto a ansiedade em relação ao desenvolvimento de seus filhos. É fundamental, contudo, que as gestantes sempre consultem seus médicos antes de usar qualquer medicamento para garantir a segurança individual, conforme diretrizes de órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).