A Playtika, gigante israelense de jogos móveis, anunciou a redução de 15% de sua força de trabalho global, um movimento que impactará mais de 450 funcionários. A decisão faz parte de um “ajuste maior em sua estrutura de custos e realocação de recursos dentro de seu portfólio de jogos”, conforme detalhado em um documento da SEC publicado em 14 de janeiro de 2026. A empresa espera concluir este plano de reestruturação durante o primeiro trimestre de 2026.
A medida reflete uma mudança fundamental na forma como a Playtika opera, com o CEO Robert Antokol indicando que a realidade econômica da indústria de jogos móveis se alterou. Em um e-mail enviado aos funcionários, Antokol destacou a necessidade de ajustar a estrutura de custos para garantir investimentos futuros e manter a liderança em um mercado altamente competitivo.
Com mais de 3.000 funcionários globalmente antes dos cortes, a Playtika busca uma operação mais enxuta, impulsionada por inteligência artificial e automação. Esta é a quarta rodada de demissões em massa na empresa desde junho de 2022, sinalizando uma tendência contínua de otimização e reavaliação de estratégias.
Ajustes estratégicos e o novo panorama da indústria de games
A decisão da Playtika de cortar 15% de sua força de trabalho não é isolada, mas sim um reflexo das dinâmicas em constante evolução no setor de jogos móveis. O CEO Robert Antokol enfatizou que a empresa está se afastando de “operações com grande número de funcionários para equipes simplificadas, impulsionadas por IA e automação”. Essa mudança visa liberar recursos para investir em jogos com alto potencial de crescimento, em vez de manter níveis históricos de investimento em títulos já maduros.
O uso de inteligência artificial na indústria de jogos tem se intensificado, prometendo melhorias na jogabilidade, tomadas de decisão mais realistas e personalização da experiência do jogador. No entanto, a adoção da IA também levanta discussões sobre a substituição de funções humanas e o impacto na produção de jogos. A Playtika, com esta reestruturação, posiciona-se para aproveitar as vantagens da IA, buscando uma estrutura mais ágil que, segundo Antokol, permitirá oferecer melhor remuneração e planos de carreira mais claros para a equipe restante.
O mercado de jogos mobile continua a ser um motor de crescimento na indústria global de games, com previsões de faturamento substanciais para os próximos anos. Relatórios recentes indicam que tecnologias imersivas, experiências sociais e a união entre criatividade e inovação são tendências que moldarão o setor em 2026. A estratégia da Playtika, portanto, alinha-se a um cenário mais amplo de busca por eficiência e inovação tecnológica.
Histórico de reestruturações na Playtika
Os recentes cortes de pessoal na Playtika são parte de um padrão de reestruturações que a empresa tem implementado nos últimos anos. Esta é a quarta rodada significativa de demissões desde junho de 2022. Naquela ocasião, 250 funcionários foram desligados, e a empresa fechou escritórios em Montreal, Los Angeles e Londres.
Em dezembro de 2022, a Playtika demitiu mais de 600 trabalhadores e cancelou três títulos em desenvolvimento. Já em janeiro de 2024, houve uma nova redução de 10% na força de trabalho, afetando até 400 pessoas. Meses depois, a empresa também eliminou os cargos de diretor de receita e diretor de operações, como parte de seus esforços de otimização. A rodada mais recente, antes do anúncio atual, ocorreu em junho de 2025, com o corte de cerca de 160 empregos em equipes na Polônia e em Israel.
Esses ajustes contínuos, que, de acordo com o portal GamesIndustry.biz, totalizarão entre US$ 12 milhões e US$ 15 milhões em custos de reestruturação, principalmente em indenizações, refletem a pressão constante por eficiência e rentabilidade em um mercado de jogos móveis cada vez mais dinâmico e competitivo. Embora a empresa espere reinvestir grande parte dessas reduções de despesas em iniciativas de crescimento, o impacto na lucratividade geral dependerá do momento e do escopo desses investimentos.
A série de demissões na Playtika sublinha um período de intensa adaptação para muitas empresas no setor de tecnologia e games. Ao redefinir sua estrutura e apostar em tecnologias emergentes como a IA, a Playtika busca solidificar sua posição em um futuro onde a eficiência e a inovação tecnológica serão cruciais para a sustentabilidade e o sucesso no mercado global de jogos móveis. A transição para equipes mais enxutas e automatizadas é uma resposta direta à “realidade econômica” que, segundo seu CEO, exige um novo modelo operacional para garantir a competitividade a longo prazo.












