A PricewaterhouseCoopers (PwC), uma das maiores firmas de serviços profissionais do mundo, está aprofundando seu envolvimento com o ecossistema de criptoativos. Essa guinada estratégica é motivada por uma percepção de maior clareza e um ambiente regulatório mais favorável nos Estados Unidos, conforme noticiado pelo Financial Times e replicado por veículos como o www.theblock.co.
Historicamente, grandes consultorias mantiveram uma postura cautelosa em relação às moedas digitais devido à incerteza regulatória e aos desafios de conformidade. No entanto, a recente transformação da PwC representa um marco, sinalizando uma aceitação crescente dos ativos digitais nos sistemas financeiros tradicionais. A empresa agora participa ativamente de serviços abrangentes relacionados a cripto, incluindo auditoria, consultoria e assessoria.
Essa expansão não é apenas uma resposta às tendências de mercado, mas reflete uma mudança fundamental na estratégia da PwC, que reconhece a integração inevitável da tecnologia blockchain nas finanças globais. A firma está desenvolvendo expertise especializada em contabilidade de ativos digitais, conformidade e gestão de riscos para se posicionar na vanguarda da economia de tokenização emergente.
O novo cenário regulatório dos EUA e o papel da PwC
A principal catalisadora para o aprofundamento do engajamento da PwC cripto é a evolução do cenário regulatório nos Estados Unidos. A administração Trump, ao assumir em janeiro de 2025, emitiu uma ordem executiva que apoia o crescimento responsável de ativos digitais e tecnologia blockchain, derrubando estruturas restritivas anteriores.
Um dos pilares dessa mudança é a Lei GENIUS, sancionada em julho de 2025, que estabeleceu um marco regulatório federal claro para stablecoins de pagamento. Essa legislação define padrões de custódia, reserva e divulgação, abrindo caminho para que bancos e grandes instituições financeiras emitam seus próprios tokens digitais. Segundo Paul Griggs, sócio-diretor da PwC nos EUA, essas medidas aumentaram a confiança para que as empresas adotem ativos digitais, criando oportunidades de consultoria e auditoria que a PwC agora busca atender.
A Comissão de Valores Mobiliários (SEC), sob nova liderança, também demonstrou uma mudança de foco, passando de ações de fiscalização para o estabelecimento de regras claras. Foram abertas consultas sobre classificação de tokens, padrões de custódia e estruturas de divulgação, o que removeu o risco reputacional que antes dissuadia o engajamento de firmas como a PwC. A aprovação de ETFs de Bitcoin à vista em janeiro de 2024 também contribuiu para essa percepção de amadurecimento do mercado.
A PwC está, assim, expandindo seus serviços de auditoria, consultoria e assessoria para empresas nativas de cripto e corporações tradicionais. A firma assessora clientes em usos práticos, como pagamentos baseados em stablecoins, e na crescente tokenização de ativos, um ecossistema no qual a PwC considera essencial estar ativa. Além disso, a empresa oferece suporte em estratégia de ativos digitais, gestão de riscos, serviços regulatórios e legais, cibersegurança, impostos, serviços de transação e contabilidade.
Implicações para o mercado de criptoativos
O movimento da PwC, juntamente com a entrada de outras grandes firmas como Deloitte, KPMG e EY no espaço cripto, reforça a tendência de institucionalização dos ativos digitais. Essa clareza regulatória diminui as barreiras de adoção para corporações, bancos e provedores de pagamento, impulsionando a confiança no Bitcoin e em outros ativos digitais.
O ambiente mais permissivo nos EUA pode estimular outras instituições globais a acelerar suas estratégias de ativos digitais, com o país potencialmente assumindo a liderança na inovação cripto. No entanto, desafios como a proteção ao consumidor e a estabilidade financeira persistem, exigindo que a PwC e seus concorrentes continuem a aprimorar suas ofertas para atender tanto às necessidades dos clientes quanto às expectativas regulatórias.
A PwC já possuía uma exposição inicial aos ativos digitais, com escritórios em Hong Kong e Luxemburgo aceitando pagamentos em Bitcoin desde 2017 e 2019, respectivamente. Em 2019, a firma também lançou ferramentas como o “Halo” para dar suporte à auditoria de criptomoedas, demonstrando um histórico de adaptação a esse mercado em evolução. A decisão atual, contudo, marca um compromisso muito mais profundo e abrangente, sinalizando um ponto de inflexão para a indústria de criptoativos.












