Duas novas reclamações trabalhistas foram registradas contra a Nintendo of America e sua contratada Teksystems junto ao National Labor Relations Board (NLRB) dos EUA. As queixas, protocoladas em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, alegam que ambas as empresas violaram leis trabalhistas destinadas a proteger a organização de funcionários e impedir retaliações. A controvérsia reacende o debate sobre os direitos dos trabalhadores no setor de videogames.

Essas ações judiciais surgem em um momento de intensa atividade para a Nintendo, que recentemente celebrou o sucesso estrondoso do lançamento do Switch 2. O console vendeu mais de 10 milhões de unidades, impulsionando significativamente suas receitas.

A empresa se vê agora confrontada com acusações que ecoam discussões mais amplas sobre as condições de trabalho na indústria tecnológica e de entretenimento digital. A situação destaca a crescente fiscalização sobre práticas de emprego em corporações de grande porte, conforme noticiado pelo GamesIndustry.biz.

A Teksystems, parceira da Nintendo of America, é responsável por uma gama de funções essenciais, incluindo testes de jogos e serviço ao cliente. Isso direciona o foco para as condições de trabalho de equipes terceirizadas, um ponto sensível em muitas indústrias.

As alegações específicas incluem interferência em atividades de auto-organização e discriminação contra funcionários por terem apresentado queixas ou testemunhado sob a lei trabalhista. Embora os detalhes dos indivíduos e das queixas não tenham sido divulgados, o caso levanta preocupações significativas no setor.

O histórico de queixas trabalhistas no setor de games

As recentes reclamações trabalhistas contra a Nintendo of America e a Teksystems não representam um incidente isolado, mas um padrão emergente de escrutínio sobre as práticas de emprego na indústria de jogos. Em 2022, a Nintendo of America já havia enfrentado uma queixa similar.

MacKenzie Clifton, então funcionário de controle de qualidade, alegou ter sido demitido por questionar a postura da empresa em relação à sindicalização. Embora a Nintendo tenha negado a demissão por motivos sindicais, alegando que Clifton divulgou “informações confidenciais”, o caso foi resolvido com um acordo financeiro de US$ 25.910 em salários, juros e indenizações. Este precedente sublinha a sensibilidade dos direitos de organização e as potenciais repercussões para os empregadores.

Outros gigantes da indústria também enfrentam desafios similares. Recentemente, a IWGB (Independent Workers’ Union of Great Britain) acusou a Rockstar Games de práticas antissindicais após a demissão de 34 funcionários em novembro. A Rockstar defendeu as demissões citando a partilha de “informações confidenciais”.

O Tribunal de Emprego de Glasgow rejeitou um pedido de medida provisória para os funcionários afetados. Esses casos demonstram uma tensão crescente entre empresas e trabalhadores, que buscam maior representatividade e melhores condições no ambiente de trabalho, um tema cada vez mais relevante, inclusive no Brasil, onde o Tribunal Superior do Trabalho aborda questões de direitos no cenário dos games.

Impacto e perspectivas para a Nintendo e o mercado

Para a Nintendo, estas reclamações trabalhistas surgem em um momento de forte desempenho financeiro, impulsionado pelo lançamento bem-sucedido do Switch 2. O console vendeu 10,36 milhões de unidades, superando o desempenho de lançamento do Switch original. Isso resultou em um aumento de 110% nas vendas líquidas e 19,5% nos lucros operacionais.

O desafio agora é equilibrar esse sucesso comercial com a necessidade de garantir um ambiente de trabalho justo e em conformidade com as leis. A reputação de uma empresa é um ativo inestimável, e litígios trabalhistas podem impactar a percepção pública e a atração de talentos, conforme discutido em análises sobre reputação corporativa.

Especialistas em direito trabalhista observam um crescimento na atenção do NLRB e de grupos de defesa dos trabalhadores, especialmente em indústrias de alto crescimento como tecnologia e jogos. A resolução dessas queixas pode estabelecer novos precedentes.

Essa situação deve influenciar a forma como as empresas de games abordam questões relacionadas à organização sindical e aos direitos dos funcionários no futuro, moldando as expectativas para todo o mercado. A transparência e a adesão às melhores práticas trabalhistas são cada vez mais valorizadas por consumidores e potenciais colaboradores.