Em 2025, os indicadores macroeconômicos sinalizam que a economia americana não apenas sobreviveu aos desafios recentes, mas demonstrou resiliência, com crescimento do PIB e taxas de desemprego controladas. Contudo, por trás dos números positivos, uma parcela significativa da população americana ainda batalha para se recuperar financeiramente, enfrentando dívidas crescentes e um custo de vida elevado que persistem, desafiando a narrativa de uma recuperação econômica americana plena.

O cenário atual apresenta uma complexa dicotomia. De um lado, relatórios do Bureau of Economic Analysis (BEA) e do Bureau of Labor Statistics (BLS) apontam para um mercado de trabalho robusto e um Produto Interno Bruto (PIB) que, embora com flutuações, manteve-se em trajetória de expansão. Esse desempenho sugere que as políticas monetárias e fiscais, implementadas nos anos anteriores, conseguiram amortecer choques e evitar uma recessão mais profunda, consolidando a percepção de estabilidade para os mercados financeiros e investidores.

No entanto, essa visão agregada não reflete a realidade de milhões de lares. A inflação, que atingiu picos históricos, corroeu o poder de compra, e a subsequente elevação das taxas de juros tornou o crédito mais caro, impactando diretamente o orçamento familiar. A sensação de que “a economia vai bem, mas eu não” tornou-se um refrão comum, ilustrando a desconexão entre os dados frios e a experiência diária dos cidadãos.

A resiliência macroeconômica e suas nuances

A análise dos dados pós-2025 revela um panorama de força nos pilares tradicionais da economia dos Estados Unidos. O mercado de trabalho, por exemplo, continuou a adicionar empregos, com a taxa de desemprego mantendo-se em níveis historicamente baixos, conforme dados do BLS. Setores como tecnologia, energias renováveis e manufatura avançada registraram expansão, impulsionando a produtividade e a inovação. A robustez corporativa também é evidente, com muitas empresas reportando lucros saudáveis e capacidade de investimento, o que contribui para a percepção de uma economia sólida.

No entanto, essa narrativa de sucesso tem suas nuances. A criação de empregos, embora volumosa, muitas vezes se concentrou em posições de menor remuneração ou em regime de meio período, o que não proporciona a segurança financeira necessária para a mobilidade social. Além disso, a distribuição da riqueza e do crescimento não foi equitativa. Enquanto o topo da pirâmide se beneficiou da valorização de ativos e dos mercados, a base e a classe média enfrentaram pressões significativas. “Os agregados nos dizem uma história de sucesso, mas quando olhamos para as famílias individualmente, vemos que a recuperação é, para muitos, um processo lento e doloroso”, explica Sarah Chen, economista sênior do think tank Brookings Institution. Essa disparidade levanta questões sobre a sustentabilidade do modelo de crescimento e a inclusão social.

O peso da recuperação individual: dívida e custo de vida

Para muitos americanos, a sobrevivência econômica de 2025 veio com um custo pessoal pesado. A dívida familiar, em particular a dívida de cartão de crédito, atingiu patamares recordes, ultrapassando a marca de US$ 1,13 trilhão no final de 2023 e continuando a crescer, segundo o Federal Reserve Bank of New York. Este cenário é um sintoma da necessidade de muitos em recorrer ao crédito para cobrir despesas básicas diante do aumento do custo de vida. Moradia, alimentação e transporte, que representam a maior parte dos gastos domésticos, viram seus preços subirem acentuadamente nos últimos anos, superando o ritmo de reajuste salarial para uma parcela considerável da força de trabalho.

A poupança pessoal, que teve um breve aumento durante a pandemia, voltou a cair para níveis pré-pandêmicos, indicando que as famílias têm menos “colchão” financeiro para emergências. “A resiliência da economia macro não se traduz em resiliência para todos os americanos. Muitos estão esgotando suas reservas e se endividando para manter o padrão de vida, ou mesmo para sobreviver”, observa Robert Johnson, analista de finanças pessoais da Consumer Financial Protection Bureau (CFPB). A capacidade de absorver choques econômicos futuros, como uma perda de emprego inesperada ou uma despesa médica, diminuiu consideravelmente para milhões de indivíduos, prolongando o período de recuperação e aumentando a vulnerabilidade.

Apesar de a economia americana ter demonstrado uma notável capacidade de se reerguer e prosperar em 2025, os desafios persistem para uma grande parcela de sua população. A discrepância entre os robustos indicadores macro e a fragilidade financeira de muitos lares americanos exige uma atenção contínua. Políticas que visem não apenas o crescimento do PIB, mas também a redução da desigualdade, o controle do custo de vida e o apoio à saúde financeira das famílias, serão cruciais para garantir que a “recuperação” se torne uma realidade para todos, e não apenas uma estatística agregada. A lição de 2025 é clara: a vitalidade de uma economia se mede não só pelos seus picos, mas pela sua capacidade de elevar a base.