Em um avanço significativo para a compreensão do envelhecimento biológico, uma recente pesquisa internacional aponta uma regra oculta entre mamíferos: menos descendentes podem significar uma vida mais longa. Este estudo abrangente, divulgado em 16 de janeiro de 2026, destaca um notável balanço evolutivo entre a capacidade reprodutiva e a sobrevivência. A supressão da reprodução está ligada a um aumento médio de cerca de 10% na expectativa de vida desses animais.
A equipe de pesquisadores, que incluiu cientistas do renomado Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, em Leipzig, analisou registros de 117 espécies de mamíferos em zoológicos e aquários globais, complementando os achados com uma meta-análise de 71 estudos pré-publicados. Os resultados reforçam um princípio fundamental da biologia evolutiva: a energia de um organismo é finita e precisa ser alocada entre a reprodução e a manutenção corporal.
Animais como elefantes, que vivem até 80 anos com poucos filhotes, contrastam com camundongos, que sobrevivem por apenas alguns anos, mas produzem dezenas de descendentes. Essa alocação de recursos se mostra crucial para moldar a longevidade, inclusive em seres humanos. A gestão cuidadosa da reprodução em ambientes controlados, como zoológicos, ofereceu um cenário único para observar essas dinâmicas, criando grupos de comparação naturais.
O custo biológico da descendência
Gerar descendentes exige um investimento biológico massivo. Gravidez, amamentação, produção de espermatozoides, comportamentos de corte e cuidados parentais consomem grandes quantidades de energia. Mesmo fora do período reprodutivo ativo, hormônios sexuais como testosterona e estrogênio continuam a influenciar o crescimento, o comportamento e o envelhecimento, desviando recursos que poderiam ser usados para a manutenção do corpo a longo prazo.
Os pesquisadores observaram que a contracepção hormonal de longo prazo e a esterilização cirúrgica permanente estavam associadas a um aumento médio de aproximadamente 10% na expectativa de vida dos mamíferos. Em alguns casos, os efeitos foram ainda mais notáveis; fêmeas de babuínos-hamadrias que receberam contracepção hormonal viveram 29% mais, enquanto machos castrados da mesma espécie tiveram um aumento de 19% na expectativa de vida. Esses dados, como afirma Fernando Colchero, um dos autores seniores do estudo, sublinham que os custos energéticos da reprodução têm consequências mensuráveis e, por vezes, consideráveis para a sobrevivência em diversas espécies de mamíferos.
Caminhos distintos para machos e fêmeas
Embora a limitação da reprodução tenha prolongado a vida de ambos os sexos, os mecanismos biológicos envolvidos diferem. Em machos, o aumento da longevidade ocorreu apenas com a castração, e não com a vasectomia, indicando que o efeito reside na eliminação da testosterona e sua influência nas vias de envelhecimento, especialmente no desenvolvimento inicial da vida. Os maiores benefícios são observados quando a castração ocorre precocemente.
Para as fêmeas, diversas formas de esterilização foram associadas a vidas mais longas. Isso sugere que o benefício advém de evitar as intensas demandas físicas da gravidez, amamentação e ciclos reprodutivos. A remoção dos ovários, que interrompe a produção de hormônios ovarianos, também estendeu a vida útil. Um estudo recente corrobora essa ideia, mostrando que a gravidez no início da idade adulta pode aumentar o envelhecimento biológico em mulheres jovens, com cada gestação elevando a idade biológica entre 2,4 e 2,8 meses.
As descobertas ressaltam que as estratégias de vida lenta, com menos pressa para crescer, amadurecer e se reproduzir, podem estar ligadas à longevidade, como observado em espécies como o tubarão da Groenlândia, que vive séculos com metabolismo extremamente lento. Este estudo do ScienceDaily e a pesquisa da Universidade de Helsinque oferecem uma base robusta para aprofundar a compreensão sobre os complexos fatores que governam a longevidade, não apenas em mamíferos selvagens, mas também com implicações potenciais para a saúde e o envelhecimento humano.











