Um ano após os devastadores incêndios florestais que assolaram Los Angeles, a Fast Company entrevistou o jornalista Jacob Soboroff. Seu livro ‘Firestorm’ expõe falhas sistêmicas e heroísmos improváveis na resposta a desastres nos EUA, oferecendo lições cruciais sobre a capacidade do país em lidar com futuras crises.

Os eventos de 2025, marcados por uma série de conflagrações urbanas sem precedentes, revelaram a vulnerabilidade de comunidades densamente povoadas a catástrofes naturais intensificadas. A análise de Soboroff, que cresceu em Pacific Palisades, o coração de um dos focos, sublinha como a ‘era crescente de desastres’ exige uma reavaliação urgente das estratégias existentes, especialmente frente a um clima em constante mudança.

A simultaneidade dos incêndios de Palisades e Eaton, que se tornaram o evento de incêndio florestal mais caro na história do país, lançou luz sobre a necessidade de coordenação e preparação multissetorial. As comunidades, apesar de alertas prévios, foram pegas despreparadas para a magnitude da devastação impulsionada por condições climáticas extremas, um cenário que se repete em diversas regiões do globo.

A complexidade dos incêndios e a falha na preparação

Os incêndios de 2025 em Los Angeles foram um estudo de caso em complexidade e desafios de resposta. O incêndio de Pacific Palisades, uma “enclave costeira” entre Santa Monica e Malibu, foi atribuído a um incêndio latente de sete dias antes, causado por incêndio criminoso. Paralelamente, em Altadena, no lado oposto do condado de Los Angeles, o incêndio de Eaton Canyon teria sido provocado por equipamentos elétricos defeituosos.

O fator agravante foi a ocorrência simultânea de ventos Santa Ana com força de furacão, atingindo mais de 130 km/h. O Serviço Nacional de Meteorologia havia previsto essa “situação particularmente perigosa”, mas a escala da devastação foi além da capacidade de resposta imediata, engolindo dezenas de milhares de habitantes em ambas as comunidades. A lacuna entre a previsão e a preparação efetiva tornou-se um ponto crítico na avaliação pós-desastre, conforme apontado em relatórios sobre gestão de incêndios florestais pela FEMA.

Lições para uma resposta a desastres mais resiliente

A experiência dos incêndios de Los Angeles ressalta a urgência de abordar falhas sistêmicas na resposta a desastres nos EUA. Jacob Soboroff, em suas reflexões, destaca que o país precisa ir além da reação e investir proativamente em resiliência. Isso inclui não apenas o aprimoramento dos sistemas de alerta, mas também a educação pública e a modernização da infraestrutura em áreas de alto risco, um ponto frequentemente debatido em estudos do USGS sobre riscos naturais.

A integração de dados meteorológicos avançados com planos de evacuação e comunicação de emergência é vital. Além disso, a revisão das regulamentações de segurança para equipamentos elétricos e a gestão de vegetação em zonas de interface urbano-florestal são medidas essenciais para mitigar riscos futuros. A colaboração entre agências federais, estaduais e locais, juntamente com o engajamento comunitário, é fundamental para construir uma rede de resposta mais robusta e coordenada diante de um cenário de desastres cada vez mais frequentes e intensos.

As falhas identificadas em Los Angeles não são isoladas e espelham desafios em outras regiões propensas a catástrofes. O investimento em tecnologia de detecção precoce, a formação de equipes de resposta ágeis e a criação de fundos de emergência mais robustos são passos cruciais. A adaptação climática e a conscientização sobre os riscos são pilares para que as comunidades possam se proteger melhor, minimizando o impacto humano e econômico de eventos futuros.

Os incêndios de Los Angeles servem como um lembrete contundente de que a preparação para desastres não é um evento único, mas um processo contínuo de aprendizado e adaptação. A capacidade de resposta dos EUA a futuras crises dependerá diretamente da vontade de enfrentar essas lições difíceis e implementar mudanças significativas na forma como protegemos nossas comunidades, garantindo um futuro mais seguro e resiliente.