Santa Catarina, um dos estados mais dinâmicos economicamente do Brasil, enfrenta um paradoxo alarmante no setor de pesquisa e desenvolvimento. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), responsável por gerenciar uma parte dos impostos estaduais destinada à ciência, aplicou um percentual irrisório de apenas 0,26% dos R$ 266 milhões que tinha à disposição. Essa discrepância levanta sérias questões sobre a prioridade e a eficácia do financiamento à ciência e tecnologia na região.
Os recursos em questão são oriundos de uma alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), especificamente destinada a fomentar a pesquisa e inovação. A expectativa para uma fundação desse porte é atuar como um motor de desenvolvimento, impulsionando projetos, formando talentos e atraindo investimentos. No entanto, a baixa aplicação desses fundos sinaliza um gargalo significativo, comprometendo o avanço científico e tecnológico do estado.
Em um cenário global onde a inovação é peça-chave para a competitividade econômica e a melhoria da qualidade de vida, o subaproveitamento de verbas para a ciência em Santa Catarina é um sinal de alerta. Estados com economias robustas e que almejam liderança em setores de alta tecnologia, como SC, dependem intrinsecamente de um ecossistema de pesquisa e desenvolvimento vibrante e bem financiado. A ineficiência na alocação de recursos pode frear o potencial de crescimento e a capacidade de adaptação do estado aos desafios futuros.
O gargalo do financiamento e seus impactos no desenvolvimento
A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) tem um papel crucial na arquitetura de fomento à ciência, mas a baixa aplicação dos recursos, conforme reportado pelo ND Mais, aponta para falhas estruturais. O volume de R$ 266 milhões, acumulado a partir de impostos, deveria ser um catalisador para inúmeras iniciativas. Contudo, a aplicação de apenas 0,26% significa que projetos inovadores, bolsas de pesquisa e infraestrutura científica podem estar sendo postergados ou simplesmente não saindo do papel. Este cenário contrasta com as expectativas de estados que buscam se posicionar na vanguarda da tecnologia, como a própria Santa Catarina, conhecida por seus polos de inovação em Florianópolis e Joinville.
Os impactos de um financiamento científico deficiente reverberam por toda a sociedade. A carência de recursos para pesquisa pode levar à “fuga de cérebros”, onde pesquisadores e cientistas buscam oportunidades em locais com maior apoio. Além disso, a falta de investimento impede o desenvolvimento de soluções locais para problemas regionais, desde avanços na saúde até melhorias na agricultura e indústria. Segundo um relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre investimento em P&D no Brasil, a inovação é um dos principais motores da produtividade e competitividade econômica, e o atraso nesse campo pode gerar perdas significativas para o PIB estadual.
Caminhos para a revitalização do investimento em ciência
Para reverter o quadro de baixo investimento em ciência, Santa Catarina precisa de uma abordagem multifacetada e estratégica. Primeiramente, é fundamental revisar os processos internos da FAPESC para identificar e remover gargalos burocráticos que impedem a agilidade na aplicação dos recursos. A simplificação de editais e a desburocratização na prestação de contas poderiam incentivar mais pesquisadores e instituições a submeterem projetos. Uma maior transparência na gestão dos fundos e na divulgação dos projetos apoiados também seria benéfica, aumentando a confiança pública e acadêmica na fundação.
Outra frente importante é a proatividade na identificação de demandas e na criação de programas que estimulem a colaboração entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Iniciativas que conectam a academia às necessidades da indústria podem gerar projetos mais aplicáveis e com maior potencial de impacto econômico e social. Além disso, a FAPESC poderia buscar inspiração em modelos de sucesso de outras Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) brasileiras, que conseguem aplicar significativamente mais seus orçamentos, como a FAPESP em São Paulo. O engajamento com a comunidade científica e empresarial é crucial para que os R$ 266 milhões deixem de ser um número estático e se tornem um motor de progresso real.
O futuro de Santa Catarina como polo de inovação e desenvolvimento tecnológico depende diretamente de sua capacidade de traduzir recursos financeiros em avanços científicos concretos. A ineficiência atual no investimento ciência SC representa uma oportunidade perdida de crescimento e de fortalecimento do capital intelectual do estado. É imperativo que gestores públicos e a comunidade científica unam esforços para desatar esse nó, garantindo que os impostos dos catarinenses cumpram seu papel fundamental de impulsionar a pesquisa e a inovação, moldando um futuro mais próspero e inteligente para a região.












