O CEO da Microsoft, Satya Nadella, tentou redefinir a narrativa em torno da inteligência artificial (IA) em uma recente publicação, mas a internet respondeu de forma inesperada, cunhando o termo ‘Microslop’ para descrever a integração onipresente da tecnologia nos produtos da empresa. A iniciativa de Nadella, que visava afastar a associação da IA com ‘restolho’ (slop), acabou gerando um efeito Streisand, viralizando ainda mais a crítica à inteligência artificial, conforme reportado pela Fast Company.
A investida da Microsoft na inteligência artificial é inegável. A empresa tem implementado agentes de IA profundamente no Windows, com cada aplicativo, serviço e produto recebendo alguma forma de integração sem a opção de desativação. Essa estratégia agressiva busca consolidar a IA como um pilar central na experiência do usuário e no futuro da tecnologia.
Em seu post no LinkedIn, intitulado ‘Looking Ahead to 2026’ (Olhando para 2026), Nadella expressou o desejo de que os usuários deixassem de ver a inteligência artificial como ‘slop’ (restolho ou porcaria) e começassem a encará-la como ‘bicicletas para a mente’. A palavra ‘slop’ foi inclusive eleita a palavra do ano de 2025 pelo dicionário Merriam-Webster, refletindo uma percepção pública já consolidada sobre o conteúdo gerado por IA.
A visão de Nadella e a realidade da integração da IA
A visão de Satya Nadella para a inteligência artificial é clara: ele a enxerga como uma ferramenta de empoderamento, capaz de ampliar as capacidades humanas, similar ao impacto que as bicicletas tiveram na mobilidade. Contudo, a realidade da implementação da IA pela Microsoft gerou descontentamento. A ausência de uma opção para desabilitar as funcionalidades de IA em seus produtos levanta questões sobre autonomia do usuário e controle.
A disseminação da inteligência artificial em cada canto do ecossistema Microsoft reflete uma aposta estratégica da companhia no futuro da computação. Embora a intenção seja otimizar a experiência e a produtividade, a falta de escolha para os usuários tem sido um ponto de atrito. Essa abordagem ‘tudo ou nada’ contrasta com a abertura que Nadella defende para a percepção da IA.
O fenômeno ‘Microslop’ e o efeito Streisand
A reação da internet à tentativa de Nadella de redefinir o termo ‘slop’ foi imediata e irônica. Usuários de plataformas como X (anteriormente Twitter), Instagram e Reddit rapidamente adotaram o termo ‘Microslop’ para se referir à Microsoft e à sua IA onipresente. Um usuário do X chegou a declarar que se referiria à Microsoft como ‘MicroSlop’ pelo resto de 2026, em uma postagem que alcançou quase 200.000 visualizações.
Esse episódio é um exemplo clássico do efeito Streisand, onde a tentativa de suprimir ou descreditar uma informação acaba por dar-lhe maior visibilidade e propagação. A crítica de Nadella ao termo ‘slop’ não apenas falhou em atenuar seu uso, mas o amplificou, introduzindo-o a milhões de pessoas que talvez não o conhecessem, e ainda gerou um novo apelido pejorativo para a própria empresa.
Apesar dos esforços da Microsoft em moldar a narrativa da inteligência artificial, a voz coletiva da internet demonstrou seu poder em criar e disseminar percepções. O incidente ‘Microslop’ serve como um lembrete de que, na era digital, a aceitação de uma tecnologia não depende apenas de sua funcionalidade, mas também da forma como ela é percebida e do grau de controle que os usuários sentem ter sobre ela.










