O Instituto SETI observou por quase um ano o pulsar PSR J0332+5434, também conhecido como B0329+54, utilizando o Allen Telescope Array (ATA). A pesquisa, finalizada em janeiro de 2026, focou na cintilação do sinal de rádio do pulsar, um efeito causado por nuvens de gás no espaço interestelar.

Essa cintilação afeta a chegada do sinal à Terra. Os resultados são cruciais para aprimorar a astronomia de precisão e a capacidade de identificar potenciais sinais de vida extraterrestre. A compreensão desse fenômeno é vital para a busca por tecnossinaturas.

Pulsos de rádio de pulsares, remanescentes densos e giratórios de estrelas massivas, são notavelmente regulares, servindo como “faróis” cósmicos. A detecção de padrões sutis pode revelar fenômenos como ondas gravitacionais de baixa frequência. Contudo, o gás entre as estrelas espalha e atrasa esses sinais, um efeito chamado cintilação.

Essa cintilação pode causar desvios minúsculos, por vezes na ordem de dezenas de nanossegundos. Compreender e corrigir esses atrasos é fundamental para manter a precisão do tempo dos pulsares. A equipe do SETI, ao monitorar a cintilação do PSR J0332+5434, observou mudanças lentas, mas pronunciadas, no comportamento de “cintilação” ao longo de 10 meses. Essas observações fornecem dados valiosos sobre a interação entre o pulsar, o gás interestelar e a Terra em movimento.

Como o espaço faz pulsares “cintilarem”

Assim como as estrelas parecem tremeluzir através da atmosfera terrestre, os sinais de rádio dos pulsares também cintilam ao atravessar o espaço. Nuvens de elétrons entre o pulsar e a Terra criam padrões de força de sinal variável em diferentes frequências de rádio.

Esses padrões não são estáticos; eles mudam à medida que o pulsar, o gás interveniente e a Terra se movem uns em relação aos outros. Essa cintilação em constante mudança afeta diretamente o momento da chegada de cada pulso, com cintilação mais forte correspondendo a atrasos maiores.

Através da observação repetida de um pulsar brilhante e próximo, os pesquisadores conseguiram monitorar a evolução desses padrões e convertê-los em correções de tempo precisas. Tais correções são então aplicadas em experimentos que exigem a mais alta exatidão.

A pesquisa do ATA, com sessões de observação quase diárias por cerca de 300 dias, revelou que a intensidade da cintilação variava notavelmente em períodos de dias a vários meses, com um ciclo geral de aproximadamente 200 dias.

Além disso, a equipe introduziu um método mais confiável para estimar como a cintilação muda com a frequência de rádio, aproveitando a ampla largura de banda do ATA.

Benefícios para a astronomia e a busca por tecnossinaturas

Os pulsares são ferramentas extraordinárias que oferecem insights sobre o universo e nossa vizinhança estelar. Grayce Brown, líder do projeto e estagiária do Instituto SETI, destacou: “Resultados como esses ajudam não apenas a ciência dos pulsares, mas também outros campos da astronomia, incluindo o SETI”.

Todos os sinais de rádio que atravessam o espaço interestelar experimentam a cintilação. Para os pesquisadores do SETI, compreender esse efeito é particularmente útil. Uma forte cintilação pode ajudar a distinguir sinais cósmicos naturais da interferência de rádio gerada por tecnologia humana.

Essa distinção é vital na busca por tecnossinaturas, que seriam indícios de civilizações extraterrestres.

A capacidade do Allen Telescope Array de operar em amplas larguras de banda e de se dedicar a projetos de longa duração o torna ideal para o estudo da cintilação de pulsares. A Dra. Sofia Sheikh, coautora e cientista de pesquisa de tecnossinaturas no Instituto SETI, corroborou essa vantagem.

Ao seguir o sinal de um pulsar em sua jornada espacial, essas observações oferecem uma compreensão mais profunda do próprio pulsar, do movimento da Terra e do material interestelar. Esse conhecimento permite aos cientistas separar melhor a interferência de rádio comum de sinais que poderiam ter uma origem artificial.

A pesquisa do SETI Institute, publicada em janeiro de 2026, representa um passo significativo na nossa capacidade de decifrar as mensagens do cosmos.

Ao transformar a interferência cósmica em uma ferramenta poderosa, os cientistas refinam a precisão astronômica. Fortalecem, assim, as bases para a detecção de vida inteligente além da Terra.

O espaço, com sua dinâmica sutil, continua a nos desafiar e a revelar seus segredos através da persistência da observação científica.