A síndrome cardiovascular-renal-metabólica (CKM) é uma condição de saúde interligada que, embora pouco conhecida, afeta uma vasta maioria da população adulta globalmente. Recentemente definida pela American Heart Association (AHA), esta síndrome combina doenças cardíacas, problemas renais, diabetes tipo 2 e obesidade em um ciclo de risco elevado. Essa sobreposição de fatores aumenta significativamente a probabilidade de eventos graves, como ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais, muito mais do que cada condição isoladamente.

A relevância da síndrome CKM, um termo emergente, reside na crescente compreensão de que coração, rins e metabolismo não operam de forma isolada, mas em um delicado equilíbrio. Dados recentes, como os de uma pesquisa da American Heart Association, indicam que quase 90% dos adultos nos Estados Unidos possuem ao menos um fator de risco associado à síndrome CKM. Fatores como pressão alta, colesterol anormal, glicose elevada, excesso de peso e função renal reduzida são alarmes para essa condição.

Apesar da alta prevalência dos fatores de risco, a conscientização pública sobre a síndrome CKM é surpreendentemente baixa, com apenas 12% dos adultos familiarizados com o termo. No entanto, a mesma pesquisa revela um grande interesse em aprender mais sobre diagnóstico e tratamento, o que sublinha a necessidade urgente de educação e estratégias de prevenção.

A interligação entre coração, rins e metabolismo

A saúde CKM refere-se ao funcionamento combinado do coração, rins e sistema metabólico, responsável pela criação, uso e armazenamento de energia, impactando diretamente o peso e os níveis de glicose no sangue. Esses sistemas dependem uns dos outros para operar corretamente, e a disfunção em um pode sobrecarregar os demais, criando um ciclo prejudicial que eleva o risco de desenvolver a síndrome CKM.

Quando condições como obesidade, diabetes tipo 2, doença renal crônica e doenças cardiovasculares coexistem, há um aumento exponencial na morbidade e mortalidade. Segundo Katherine Tuttle, professora de Medicina da Universidade de Washington e coautora de um aviso da AHA, quando um rim é afetado, por exemplo, por diabetes ou hipertensão, uma série de outras anomalias que afetam todo o corpo, especialmente o sistema cardiovascular, são desencadeadas. Essas interações podem levar à inflamação, aumento da pressão arterial, resistência à insulina e piora dos distúrbios lipídicos, acelerando a aterosclerose e a insuficiência cardíaca.

É crucial entender que a síndrome CKM pode ser revertida para muitas pessoas através de mudanças nos hábitos alimentares, aumento da atividade física e tratamentos médicos adequados. Dr. Eduardo Sanchez, diretor médico de prevenção da American Heart Association, enfatiza a importância de reconhecer que é comum ter fatores de risco cardíacos, renais e metabólicos simultaneamente, e que a compreensão dessa conexão é um passo vital para a prevenção.

Conscientização e o futuro da prevenção

A baixa conscientização pública sobre a síndrome CKM, com 68% dos entrevistados acreditando incorretamente que as condições de saúde devem ser gerenciadas uma de cada vez, ou incertos sobre a melhor abordagem, destaca uma lacuna crítica no conhecimento. A American Heart Association, por meio de sua Iniciativa de Saúde CKM, está oferecendo ferramentas educacionais e um hub de recursos online para explicar como a saúde cardíaca, renal e metabólica estão interligadas.

O objetivo é capacitar as pessoas a tomar medidas preventivas precoces para reduzir o risco de ataque cardíaco, insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral. A AHA também trabalha com equipes de saúde para fortalecer a colaboração entre profissionais que cuidam de pacientes com múltiplas condições crônicas. As primeiras diretrizes clínicas focadas na síndrome CKM serão lançadas no início de 2026, prometendo um avanço significativo na abordagem integrada dessas condições.

A síndrome CKM representa um desafio de saúde pública, mas também uma oportunidade para uma abordagem mais holística e integrada. Aumentar a conscientização e promover a colaboração entre as especialidades médicas são passos essenciais para transformar a maneira como prevenimos e tratamos doenças crônicas, oferecendo um futuro mais saudável para a maioria da população.