Em um movimento decisivo para furar o bloqueio informativo imposto pelo governo iraniano, a SpaceX, de Elon Musk, liberou o acesso gratuito ao seu serviço de internet via satélite Starlink para manifestantes no Irã. Esta medida surge em meio a um apagão total de telecomunicações e internet que isolou os 85 milhões de habitantes do país, conforme ativistas relataram nesta semana.
A decisão da empresa aeroespacial americana, embora não anunciada oficialmente, começou a ser percebida na terça-feira por aqueles que possuem os receptores Starlink no país. O bloqueio governamental, iniciado em 8 de janeiro, intensificou-se à medida que os protestos se espalhavam por todo o Irã, motivados pela economia fragilizada e pelo colapso da moeda local, gerando uma onda de descontentamento popular sem precedentes recentes.
Este corte de comunicação é a mais forte tentativa do governo de Teerã de impedir que informações cruciais transbordem suas fronteiras, isolando a população e dificultando a organização. Neste cenário de repressão e controle informativo, a conectividade oferecida pelo Starlink emerge como uma ferramenta vital para a dissidência, permitindo que a população contorne as barreiras digitais impostas.
O papel da conectividade na exposição da realidade iraniana
A internet via satélite tem se mostrado crucial para que os manifestantes iranianos consigam documentar e compartilhar a brutalidade da repressão governamental. Mehdi Yahyanejad, fundador da organização sem fins lucrativos Net Freedom Pioneers, que auxilia na entrada de unidades Starlink no Irã, enfatizou a importância da tecnologia.
Yahyanejad citou um vídeo chocante que emergiu no domingo, mostrando fileiras de corpos em um centro médico forense próximo a Teerã, como evidência do impacto do Starlink. “Isso mostrou algumas centenas de corpos no chão, e isso saiu por causa do Starlink”, disse ele em entrevista de Los Angeles, conforme reportado por Fast Company.
Ele acrescentou que “aqueles vídeos do centro praticamente mudaram a compreensão de todos sobre o que está acontecendo, porque eles viram com seus próprios olhos”. Desde o início das manifestações em 28 de dezembro, o número de mortos já ultrapassa 2.500 pessoas, incluindo manifestantes e membros das forças de segurança, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA.
Desafios e riscos para a população iraniana
Apesar do benefício evidente, o uso do Starlink no Irã não é isento de perigos. O serviço é oficialmente banido no país pelas regulamentações de telecomunicações, que nunca autorizaram a importação, venda ou uso dos dispositivos. Esta proibição expõe os usuários a sérias consequências legais.
Ativistas temem que possam ser acusados de auxiliar os Estados Unidos ou Israel ao utilizar o Starlink, enfrentando acusações de espionagem, um crime que pode resultar na pena de morte, dada a postura rigorosa do regime. A repressão às liberdades civis é uma característica constante do governo iraniano, tornando cada conexão à internet uma ação de alto risco e um ato de coragem.
A iniciativa da SpaceX, ao fornecer acesso gratuito ao Starlink, representa um farol de esperança e uma ferramenta de resistência em um dos cenários de maior censura do mundo. Contudo, a liberdade de informação vem acompanhada de graves riscos pessoais para os iranianos, que lutam para fazer suas vozes serem ouvidas em meio a um blackout imposto pelo próprio governo.










