A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Caetano do Sul emitiu um alerta sobre os potenciais impactos negativos da implementação da tarifa zero no transporte público, caso a gratuidade seja restrita apenas aos moradores. A entidade prevê que a medida pode onerar significativamente a economia local, afastando consumidores e trabalhadores de cidades vizinhas que são vitais para o dinamismo comercial e de serviços do município.
A discussão sobre a tarifa zero em São Caetano do Sul, embora pensada como um benefício direto aos residentes, levanta questões complexas sobre a interdependência econômica regional. A cidade, conhecida por sua qualidade de vida e forte setor terciário, atrai diariamente um grande volume de não-residentes que contribuem ativamente para o consumo e a força de trabalho local. A preocupação da CDL, conforme noticiado pelo RD – Repórter Diário, reside justamente na barreira que a cobrança de tarifa para não-moradores pode criar.
Essa restrição pode desincentivar o fluxo de visitantes e trabalhadores, impactando diretamente o faturamento do comércio e dos prestadores de serviço. O cenário ideal, segundo a CDL, seria uma política de transporte que beneficiasse a todos, sem criar divisões que pudessem estrangular a vitalidade econômica que São Caetano do Sul construiu como polo regional.
O impacto da restrição no fluxo econômico
A visão da CDL de São Caetano do Sul é clara: a economia da cidade depende intrinsecamente do movimento de pessoas de fora. Um estudo da Pesquisa de Mobilidade Urbana do IPEA, embora não específico para São Caetano, demonstra como a acessibilidade e o custo do transporte influenciam diretamente as decisões de consumo e trabalho nas áreas metropolitanas. Ao impor um custo de transporte a quem não mora na cidade, a medida da tarifa zero restrita pode gerar uma concorrência desleal com municípios vizinhos que não aplicam tal restrição, ou que oferecem alternativas de transporte mais vantajosas.
O presidente da CDL São Caetano, Alexandre Coelho, enfatizou que o comércio local já enfrenta desafios significativos e a redução do poder de compra dos consumidores externos, somada à barreira do transporte, pode levar à queda nas vendas e, consequentemente, à perda de empregos. Em um município onde o setor de serviços e comércio representa uma fatia considerável do PIB, conforme dados da Fundação Seade, qualquer fator que diminua o fluxo de consumidores e trabalhadores externos pode ter um efeito cascata negativo, afetando desde pequenos empreendedores até grandes estabelecimentos.
O dilema da sustentabilidade e inclusão regional
A implementação da tarifa zero é um debate complexo em muitas cidades brasileiras, sempre equilibrando o benefício social e o custo fiscal. Em São Caetano do Sul, a restrição a moradores adiciona uma camada de complexidade, colocando em xeque não apenas a sustentabilidade financeira do sistema de transporte, mas também a inclusão regional. A pergunta que se impõe é: como financiar a gratuidade para residentes sem onerar excessivamente o caixa municipal ou criar entraves para a dinâmica econômica que também sustenta a cidade?
Alternativas de financiamento, como a destinação de impostos específicos ou subsídios cruzados, são frequentemente debatidas em contextos de tarifa zero. No entanto, a particularidade de São Caetano reside na sua forte dependência do público não-residente. A cidade se vê diante de um dilema: priorizar o benefício direto aos seus cidadãos, correndo o risco de isolar economicamente sua base comercial, ou buscar um modelo de mobilidade mais abrangente que fomente a economia local de forma mais equitativa. A decisão final poderá servir de estudo de caso para outras cidades que buscam conciliar políticas sociais com a vitalidade econômica regional.










