No Brasil, onde o acesso à água potável ainda é um desafio para milhões, novas tecnologias emergem como aliadas cruciais para combater o alarmante desperdício de água tratada. Sensores inteligentes, inteligência artificial e sistemas de monitoramento avançado prometem revolucionar a gestão hídrica, otimizando recursos e infraestrutura.

Anualmente, uma parte significativa da água potável produzida no país se perde antes mesmo de chegar às torneiras. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) revelam que, em 2022, o índice de perdas na distribuição atingiu 37,8% em média nacional – o que representa um volume equivalente a 7,8 mil piscinas olímpicas de água por dia. Este cenário não apenas onera as empresas de saneamento, mas também agrava a escassez hídrica e os custos para o consumidor.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) tem alertado para a urgência de investimentos em infraestrutura e inovação. A adoção de soluções tecnológicas para reduzir desperdício de água é vista como um caminho indispensável para garantir a segurança hídrica e a sustentabilidade do setor, alinhando-se às metas de universalização do saneamento.

Sensores, IA e o combate às perdas invisíveis

A maior parte do desperdício de água não é visível a olho nu. Vazamentos ocultos, fraudes e medidores imprecisos são os principais vilões. É nesse ponto que a tecnologia desperdício água se manifesta com maior impacto. Sistemas de telemetria, por exemplo, utilizam sensores para coletar dados em tempo real sobre pressão e fluxo da água em toda a rede de distribuição. Essas informações, quando analisadas por algoritmos de inteligência artificial, permitem identificar anomalias e prever pontos de vazamento antes que se tornem grandes problemas.

Empresas como a Sabesp em São Paulo e a CORSAN no Rio Grande do Sul já investem em tecnologias de monitoramento. Drones equipados com câmeras térmicas e satélites podem mapear grandes extensões de tubulações, identificando áreas com perda de calor causada por vazamentos subterrâneos. Além disso, os medidores inteligentes, que transmitem dados de consumo automaticamente, eliminam a necessidade de leitura manual e ajudam a detectar usos irregulares ou picos de consumo que podem indicar vazamentos internos nas propriedades.

A gestão inteligente da infraestrutura hídrica

A implementação dessas inovações não se limita apenas à detecção de problemas. A gestão inteligente da infraestrutura hídrica envolve também a otimização de processos. Softwares avançados de modelagem hidráulica simulam o comportamento da rede de água, permitindo que as concessionárias ajustem a pressão em diferentes áreas, minimizando o estresse sobre as tubulações e, consequentemente, a ocorrência de novos vazamentos. Segundo um estudo da consultoria KPMG sobre o setor de saneamento, a digitalização é um dos pilares para a modernização e eficiência, projetando uma redução significativa nas perdas.

A aplicação de novos materiais, como tubulações de polietileno de alta densidade (PEAD), que são mais flexíveis e resistentes à corrosão, também complementa o esforço tecnológico. A integração de todas essas soluções cria um ecossistema de saneamento mais resiliente e proativo, capaz de responder rapidamente a falhas e garantir um abastecimento mais contínuo e eficiente para a população.

O caminho para a universalização do saneamento no Brasil passa, inegavelmente, pela inovação tecnológica. A capacidade de monitorar, prever e agir sobre o desperdício de água tratada não é apenas uma questão de eficiência operacional, mas um imperativo ambiental e social. À medida que as soluções se tornam mais acessíveis e integradas, espera-se que o setor de saneamento brasileiro possa não só reduzir suas perdas, mas também construir um futuro mais seguro e sustentável para seus recursos hídricos.