Em 13 de dezembro, quando um atirador abriu fogo em um edifício acadêmico da Brown University, estudantes não esperaram por alertas oficiais. Em vez disso, recorreram a plataformas digitais como o Sidechat, um fórum de mensagens anônimo e específico para o campus, para documentar o tiroteio Brown University online em tempo real, com informações rápidas e fragmentadas.

A resposta imediata dos alunos através de seus telefones, com mensagens de estranhos e rumores urgentes, demonstra a profunda mudança na forma como emergências em campus universitários são hoje navegadas. Uma análise da Associated Press sobre quase 8.000 postagens nas 36 horas seguintes ao ataque revelou como as mídias sociais se tornaram centrais para os estudantes lidarem com a crise, conforme noticiado pela Fast Company.

Quinze minutos antes do primeiro alerta da universidade sobre um atirador ativo, os estudantes já estavam documentando o caos. Suas publicações — cruas, fragmentadas e por vezes em pânico — formaram uma cápsula do tempo digital de como um campus universitário vivenciou um tiroteio em massa.

A comunicação em tempo real como ferramenta de sobrevivência

Enquanto se abrigavam, os estudantes postavam escondidos sob mesas de biblioteca, agachados em salas de aula e corredores. Alguns comentários vieram até de alunos feridos, como um que postou uma selfie de uma cama de hospital com a simples legenda: #finalsweek. Outros faziam perguntas urgentes: Havia um bloqueio? Onde estava o atirador? Era seguro se mover?

Essa documentação espontânea e descentralizada ilustra a capacidade das redes sociais de transformar cidadãos comuns em repórteres de campo durante crises. A velocidade da informação, embora por vezes caótica, pode ser crucial em situações de vida ou morte, superando a burocracia das comunicações oficiais.

O dilema entre velocidade e verificação em emergências

Embora plataformas anônimas como Sidechat ofereçam uma via para a disseminação rápida de informações, elas também apresentam desafios significativos em termos de verificação. A enxurrada de posts, boatos e perguntas levantou a questão da precisão em momentos de alto estresse.

A universidade levou dias para identificar o suspeito, encontrado morto em New Hampshire por um ferimento autoinfligido, posteriormente ligado ao assassinato de um professor do Massachusetts Institute of Technology. Este incidente na Brown University sublinha a necessidade de instituições de ensino superior integrarem as dinâmicas das mídias sociais em seus protocolos de emergência.

A agilidade com que os estudantes se comunicam online exige que as universidades não apenas emitam alertas oficiais. Elas devem também monitorar e, quando possível, interagir com as narrativas digitais emergentes para fornecer clareza e orientação em tempo real.

A experiência da Brown University serve como um estudo de caso contundente sobre a evolução da comunicação em crises. Ela demonstra que as plataformas online, com seus fluxos de informação instantâneos, tornaram-se um componente inegável da segurança e da resposta a emergências em campus.

Isso exige uma abordagem multifacetada que combine a velocidade do digital com a precisão das comunicações institucionais, redefinindo a gestão de crises no ambiente universitário.