A transição energética global em 2026 se desenha como um campo de batalha geopolítico, onde a disputa entre países produtores de combustíveis fósseis e nações que apostam em energias limpas intensifica-se. Apesar do avanço das renováveis, a expansão da produção de petróleo e gás, aliada à pressão por seu consumo, marca um cenário complexo e decisivo. Este embate define os rumos da descarbonização e o futuro do clima do planeta.

Há dois anos, nações ao redor do mundo estabeleceram a meta de se afastar dos combustíveis fósseis de forma justa e ordenada. O plano incluía triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar os ganhos de eficiência energética até 2030. O progresso tem sido notável: mais de 90% da nova capacidade de energia adicionada em 2024 e 2025 veio de fontes renováveis, segundo a Fast Company e outros relatórios.

Contudo, a produção de combustíveis fósseis também continua a se expandir. Os Estados Unidos, maior produtor mundial de petróleo e gás natural, têm pressionado agressivamente outros países a manterem a compra e queima desses recursos. Essa dualidade expõe as profundas tensões econômicas e geopolíticas que caracterizam a transição energética global em 2026, com o mundo caminhando a apenas metade da velocidade necessária para cumprir as metas do Acordo de Paris.

O embate geopolítico na COP30

A 30ª Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30), realizada em novembro de 2025 em Belém, Brasil, colocou a transição energética no centro das discussões. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou a conferência clamando pela criação de um “mapa do caminho” formal, um processo estratégico para que os países superassem a dependência de combustíveis fósseis.

Mais de 80 nações, desde pequenas ilhas vulneráveis como Vanuatu até países com oportunidades em energia limpa como o Quênia e grandes produtores de fósseis como a Austrália, apoiaram a ideia. No entanto, a proposta de um roteiro global não foi incluída no acordo final da conferência, devido à forte oposição liderada por países produtores de petróleo e gás, como os do Grupo Árabe, Rússia, China e Índia. Essa resistência sublinha a complexidade da transição energética global, onde interesses econômicos e de soberania energética colidem com a urgência climática.

A corrida por infraestrutura e os desafios dos eletro-estados

O ano de 2026 marca um ponto de inflexão decisivo, exigindo que as promessas de transição se transformem em infraestrutura e escala real. Estudos da McKinsey revelam que, embora os investimentos em tecnologias climáticas tenham crescido seis vezes entre 2019 e 2023, 80% dos recursos se concentraram em apenas quatro soluções: energia solar, eólica onshore, veículos elétricos e baterias. Tecnologias cruciais para a descarbonização da indústria pesada, como hidrogênio verde e captura de carbono, permanecem subfinanciadas.

Essa concentração cria um desequilíbrio e expõe os desafios para os “eletro-estados”, que buscam diversificar suas matrizes energéticas e dependem de minerais críticos e infraestrutura robusta. A transição energética global é guiada pelos “3 Ds”: Descarbonização, Descentralização e Digitalização. No entanto, a expansão das renováveis exige modernização das redes elétricas e soluções de armazenamento para superar a intermitência das fontes.

A tensão entre petro-estados e eletro-estados moldará a transição energética global em 2026. Embora o avanço das renováveis seja inegável, a persistência da produção de combustíveis fósseis e as divergências geopolíticas indicam que o caminho para um futuro descarbonizado será sinuoso e exigirá um esforço coordenado para superar os interesses entrincheirados. A capacidade de transformar metas em ações concretas e de mobilizar o financiamento necessário será crucial para determinar o sucesso dessa jornada.