O renomado ator Troy Baker, voz de personagens icônicos em games como Joel Miller de The Last of Us, defende que criativos não devem “demonizar” a inteligência artificial. Ele argumenta que, embora a IA possa gerar conteúdo, ela é incapaz de “criar arte”, uma capacidade intrínseca à experiência humana e que exigirá sempre um artista.
A discussão sobre o papel da inteligência artificial na indústria de games e na criação artística tem sido intensa, com muitos profissionais expressando preocupações sobre o impacto no futuro do trabalho humano. Baker, uma figura influente no setor, oferece uma perspectiva que busca um meio-termo, reconhecendo as capacidades da tecnologia sem subestimar o valor da contribuição humana.
Sua visão, conforme reportado por veículos como o GamesIndustry.biz e GameVicio, sugere que a ascensão da IA pode, paradoxalmente, impulsionar uma busca renovada pela autenticidade e pela experiência artística genuína. Ele enfatiza que a arte sempre dependeu de artistas e que essa premissa fundamental não muda com o avanço tecnológico.
A distinção entre conteúdo e arte na era da IA
Baker argumenta que, enquanto a inteligência artificial pode produzir “conteúdo” de forma eficiente e em larga escala, a essência da “arte” reside na experiência humana. Ele observa a capacidade de ferramentas de IA, como a Sora, de gerar imagens complexas em segundos, como uma recriação da Batalha de Gettysburg, superando a velocidade humana. Contudo, essa eficiência não se traduz em criação artística.
“Há uma premissa fundamental na criação de arte que as pessoas não estão lembrando agora, e é que ela exige artistas”, afirmou Baker em entrevista. Ele ressalta que a IA não remove a escolha do artista de se engajar no processo criativo, mantendo a relevância da ação humana. A autenticidade, para Baker, será o grande diferencial em um cenário dominado pelo conteúdo gerado por máquinas.
O futuro da autenticidade e a valorização do humano
Para Baker, o surgimento da inteligência artificial não é uma ameaça existencial para os criativos, mas sim uma “revolução” que irá “impulsionar as pessoas para o autêntico”. Ele prevê um cenário onde a audiência buscará ativamente experiências genuínas: assistir a um cantor ao vivo, ir ao teatro, ler livros com a percepção de uma mente humana. Essa busca por contato direto contrasta com o “mingau que é destilado através de um espelho negro”, como ele descreve o conteúdo artificial.
A confiança na capacidade humana de criar arte, cultivada por mais de 2.500 anos, é um pilar central em sua argumentação. Baker sugere que, em vez de “diminuir, denegrir ou demonizar” a IA, os criativos devem aceitar sua existência e confiar que a experiência humana continuará a ser valorizada. Patrick Söderlund, CEO da Embark Studios, ecoa essa perspectiva, afirmando que sua empresa não usa IA para reduzir o investimento em pessoas.
A perspectiva de Troy Baker oferece um contraponto ponderado ao debate sobre a inteligência artificial na arte, sugerindo que a tecnologia pode, na verdade, fortalecer a apreciação pela criatividade humana. Ao invés de substituir, a IA poderia catalisar uma revalorização da autenticidade e da experiência artística genuína, reafirmando o papel indispensável do artista no processo de criação. O desafio para os criativos será navegar este novo cenário, utilizando a tecnologia como ferramenta sem perder a essência da expressão humana.









