A Ubisoft encerrou seu estúdio em Halifax, Canadá, resultando em 71 demissões. A decisão ocorre dias após a equipe formar o primeiro sindicato da empresa na América do Norte, em meio a uma reestruturação de custos global.

A gigante dos jogos justificou o movimento como parte de um processo contínuo de otimização e redução de despesas. Este encerramento, contudo, levanta um debate significativo sobre as relações trabalhistas na indústria de games, especialmente dada a recente organização sindical da equipe.

O fechamento Ubisoft Halifax não é um caso isolado, mas o mais recente de uma série de cortes e reestruturações que a empresa tem implementado. Recentemente, outros estúdios como RedLynx e Massive também sofreram demissões, e a Ubisoft desmembrou suas principais franquias para uma subsidiária apoiada pela gigante chinesa Tencent.

O impacto do fechamento e o contexto da indústria

O estúdio Ubisoft Halifax, inicialmente Longtail Studios Halifax em 2010 e adquirido pela Ubisoft em 2015, era conhecido por desenvolver títulos mobile como Rainbow Six Mobile e Assassin’s Creed Rebellion. Com o encerramento, o desenvolvimento contínuo de Assassin’s Creed Rebellion será interrompido, conforme apurado pelo Gamesindustry.biz.

A Ubisoft declarou que está “comprometida em apoiar todos os membros da equipe impactados durante esta transição com recursos, incluindo pacotes abrangentes de indenização e assistência de carreira adicional”. Este suporte é vital em um cenário onde a indústria de games tem sido marcada por demissões massivas. Em 2024, mais de 15.000 profissionais foram desligados globalmente, superando os números de 2023 e 2022 combinados.

Grandes players como Microsoft, Unity e Sony também realizaram cortes substanciais, refletindo uma fase de consolidação e reavaliação estratégica. O setor, que cresceu exponencialmente durante a pandemia de COVID-19, agora enfrenta uma desaceleração, custos crescentes e mudanças nos hábitos de consumo, levando a uma reestruturação que afeta milhares de trabalhadores.

Sindicatos na indústria de games: um futuro incerto?

A formação do sindicato em Halifax representou um marco, sendo o primeiro da Ubisoft na América do Norte. Este esforço, que começou em junho de 2025, insere-se em um movimento global crescente por maior representatividade e melhores condições de trabalho para desenvolvedores, que frequentemente enfrentam longas jornadas e instabilidade.

O timing do fechamento Ubisoft Halifax, ocorrendo imediatamente após a sindicalização, embora justificado pela empresa como parte de uma reestruturação, gera preocupações. A proximidade dos eventos pode ser vista como um desestímulo aos esforços de organização trabalhista em um setor que busca por estabilidade e reconhecimento dos direitos dos funcionários.

A sindicalização no setor de tecnologia e games tem ganhado força, com mais de seis mil trabalhadores nos EUA e Canadá organizando-se com o Communications Workers of America (CWA) desde 2020, em estúdios como Sega of America, Blizzard e Bethesda. Uma pesquisa de 2023 indicou que 53% dos desenvolvedores são a favor da sindicalização, buscando proteger-se contra condições como o “crunch” e a instabilidade.

O encerramento do estúdio em Halifax pela Ubisoft é um lembrete contundente da volatilidade do mercado de jogos e da complexa interação entre decisões corporativas e o movimento crescente por direitos trabalhistas. Enquanto a empresa busca eficiência através de sua reorganização em “Creative Houses” e parcerias estratégicas, o impacto sobre os 71 profissionais e as implicações para o futuro da sindicalização na indústria de games permanecem no centro do debate.