A onda crescente de hiper-nacionalismo e conflitos acende um alerta sobre a necessidade do universalismo global em um cenário mundial cada vez mais fragmentado. A interconexão econômica profunda, que transcende fronteiras políticas, exige uma reavaliação urgente das abordagens isolacionistas. Este panorama desafiador, marcado por desigualdades e insegurança, pede o fortalecimento de organizações supranacionais como pilares de uma cooperação essencial.
A virada de ano global, como apontado em análises recentes, revela um horizonte sombrio. Conflitos em escalada e o ressurgimento de regimes autoritários minam as instituições tanto domésticas quanto internacionais. Além disso, a crescente desigualdade de riqueza aprofunda a insegurança econômica e corrói a coesão social, criando um terreno fértil para o descontentamento e a polarização.
Nesse contexto, a ideia de um universalismo global emerge não como uma utopia, mas como uma estratégia pragmática para a sobrevivência e prosperidade coletiva. Embora um mundo sem estados-nação ainda seja um sonho distante, a premissa é clara: precisamos fortalecer os mecanismos de governança global para lidar com desafios que não respeitam fronteiras, como mudanças climáticas, pandemias e crises financeiras.
A ascensão do nacionalismo e seus custos
O panorama atual de fragmentação não é acidental; ele reflete ansiedades profundas sobre uma economia global interconectada que já não se encaixa nas antigas fronteiras políticas. Segundo informações do www.project-syndicate.org, essa onda de hiper-nacionalismo é uma resposta a um sistema global complexo. Movimentos populistas, que prometem soluções simples para problemas complexos, ganham força ao explorar o medo e a insatisfação econômica.
Essa retração para o nacionalismo tem custos tangíveis. Relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2023 indicam que a fragmentação geoeconômica pode reduzir o PIB global em até 7% a longo prazo, especialmente para economias mais abertas. Barreiras comerciais e a restrição ao fluxo de capital e pessoas não apenas prejudicam o crescimento, mas também impedem a inovação e a capacidade de resposta a choques externos. A pandemia de COVID-19, por exemplo, expôs as vulnerabilidades de cadeias de suprimentos globais e a necessidade de coordenação internacional para o desenvolvimento e distribuição de vacinas.
Fortalecendo o universalismo global através da cooperação
Apesar dos desafios, a busca por uma abordagem mais universalista não é inatingível. Ela passa pelo fortalecimento de organizações supranacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC), que, apesar das críticas, continuam sendo fóruns essenciais para o diálogo e a resolução de conflitos. É crucial reformar essas instituições para que sejam mais representativas e eficazes, adaptando-as às realidades do século XXI.
Kaushik Basu, economista e autor do artigo no Project Syndicate, argumenta que, embora um mundo sem estados-nação seja um “sonho distante”, podemos pelo menos fortalecer as organizações supranacionais existentes. Isso implica em maior investimento, maior legitimidade e, crucialmente, a vontade política dos estados-membros de ceder parte de sua soberania em prol de um bem maior. Iniciativas como o Acordo de Paris sobre o clima demonstram que a cooperação multilateral, mesmo com suas imperfeições, é a ferramenta mais potente para enfrentar ameaças existenciais.
Em um momento de turbulência e divisões, o apelo pelo universalismo global ressoa com uma urgência renovada. Não se trata de apagar identidades nacionais, mas de reconhecer a interdependência intrínseca que define a era moderna. O caminho à frente exige liderança visionária, compromisso com o diálogo e a construção de pontes, não muros, para que a humanidade possa enfrentar seus desafios comuns com uma frente unida e resiliente. O futuro da prosperidade e da paz global dependerá da nossa capacidade de transcender interesses estreitos e abraçar uma visão mais ampla de solidariedade e responsabilidade compartilhada.












