Cientistas podem ter desvendado um dos maiores enigmas cósmicos: como os buracos negros atingiram tamanhos colossais tão rapidamente após o Big Bang. Novas simulações da Maynooth University indicam que galáxias caóticas no universo primordial criaram as condições ideais para que pequenos buracos negros tivessem surtos de crescimento extremo.

A existência de buracos negros supermassivos em fases surpreendentemente precoces do universo sempre intrigou os astrônomos. Até agora, o mecanismo por trás de seu rápido desenvolvimento permaneceu obscuro, desafiando as teorias convencionais sobre a evolução cósmica.

Esta pesquisa, publicada em janeiro de 2026 na Nature Astronomy, oferece uma explicação inovadora que se alinha com as recentes e intrigantes observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb, que detectou esses gigantes cósmicos muito antes do que muitos modelos previam.

O impacto das condições caóticas do universo inicial

A equipe da Maynooth University, liderada por Daxal Mehta, um candidato a PhD no Departamento de Física, revelou que as condições extremas do universo primitivo foram o gatilho para esse crescimento acelerado. Segundo ele, “as condições caóticas existentes no universo inicial desencadearam o crescimento de buracos negros menores em buracos negros supermassivos que vemos mais tarde, após um frenesi alimentar que devorou material ao seu redor”.

Utilizando simulações computacionais avançadas, os pesquisadores reconstruíram o comportamento dos primeiros buracos negros, nascidos apenas algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang. Eles cresceram incrivelmente rápido, atingindo dezenas de milhares de vezes o tamanho do nosso Sol, conforme o estudo divulgado no ScienceDaily.com.

Esse rápido crescimento é atribuído à ‘acréscimo super-Eddington’, um processo onde um buraco negro atrai matéria a uma taxa superior ao que a física convencional sugere. Em ambientes densos e ricos em gás das galáxias primordiais, a radiação do material em queda, que normalmente afastaria o gás, não conseguiu impedir que esses buracos negros continuassem se alimentando vorazmente, ganhando massa a taxas extraordinárias.

Reavaliando as origens dos gigantes cósmicos

Anteriormente, acreditava-se que apenas buracos negros ‘semente pesada’, que nascem já grandes (até cem mil vezes a massa do Sol), poderiam explicar a presença de supermassivos no universo inicial. No entanto, Daxal Mehta destaca que “esses minúsculos buracos negros eram anteriormente considerados pequenos demais para se tornarem os buracos negros gigantes observados no centro das primeiras galáxias”.

As simulações da Maynooth University mostram que buracos negros ‘semente leve’, com massas modestas (dez a algumas centenas de vezes a massa do Sol), são capazes de crescer espetacularmente rápido, dadas as condições certas. Dr. John Regan, líder do grupo de pesquisa, afirma que “as sementes pesadas são um tanto mais exóticas e podem precisar de condições raras para se formar. Nossas simulações mostram que os buracos negros de massa estelar ‘comuns’ podem crescer a taxas extremas no universo inicial”.

Esses achados sugerem um cosmos primitivo muito mais turbulento e produtivo na formação de buracos negros massivos do que se imaginava, expandindo nosso entendimento sobre a evolução das galáxias e a distribuição de matéria escura.

A descoberta da Maynooth University não apenas resolve um mistério de longa data na astronomia, mas também redefine nossa compreensão sobre a formação e evolução dos buracos negros supermassivos. Ela abre novas avenidas para a interpretação de dados futuros do Telescópio James Webb e de outras missões, prometendo insights ainda mais profundos sobre os primórdios do universo e a arquitetura cósmica que conhecemos.