Uma pesquisa recente revelou que o nitrogênio presente no solo pode ser o segredo para acelerar a recuperação de florestas tropicais, dobrando sua capacidade de regeneração após o desmatamento. O estudo, conduzido pela Universidade de Leeds e publicado em 15 de janeiro de 2026, oferece uma nova perspectiva para estratégias de reflorestamento eficazes e combate às mudanças climáticas.
A descoberta sublinha a importância do que acontece abaixo da superfície para a velocidade com que as florestas se restabelecem. Cientistas monitoraram parcelas de florestas na América Central por até 20 anos, demonstrando que a presença adequada deste nutriente é crucial para o crescimento vigoroso das árvores jovens.
Este achado tem implicações significativas, especialmente em um cenário pós-COP 30, onde fundos como o Tropical Forest Forever Facility (TFFF) buscam proteger e restaurar áreas florestais danificadas.
A influência decisiva do nitrogênio no crescimento florestal
O experimento, considerado o maior e mais longo já concebido para examinar o papel dos nutrientes na regeneração florestal, focou em áreas tropicais desmatadas para exploração madeireira e agricultura. Em 76 parcelas na América Central, os pesquisadores aplicaram diferentes tratamentos: fertilizante de nitrogênio, de fósforo, ambos ou nenhum.
Os resultados foram claros: durante os primeiros 10 anos de recuperação, as florestas com nitrogênio suficiente se regeneraram a uma taxa duas vezes maior do que aquelas com deficiência do nutriente. O fósforo, isoladamente, não produziu o mesmo efeito notável. A pesquisa, que envolveu instituições como a Universidade de Glasgow e o Smithsonian Tropical Research Institute, foi publicada na revista Nature Communications.
Estratégias inteligentes para a captura de carbono
Wenguang Tang, autor principal do estudo, destacou a relevância da pesquisa para aprimorar a captura e o armazenamento de gases de efeito estufa. Embora o estudo tenha usado fertilizantes, a equipe não recomenda seu uso generalizado devido a possíveis efeitos adversos, como a emissão de óxido nitroso, um potente gás de efeito estufa.
Em vez disso, sugerem alternativas práticas, como o plantio de leguminosas, que naturalmente adicionam nitrogênio ao solo, ou o reflorestamento em áreas já ricas em nitrogênio devido à poluição atmosférica. As florestas tropicais são sumidouros de carbono vitais, e a escassez de nitrogênio pode impedir o armazenamento de cerca de 0,69 bilhão de toneladas de dióxido de carbono anualmente, o equivalente a dois anos de emissões do Reino Unido.
A compreensão do papel do nitrogênio no solo oferece uma ferramenta poderosa para otimizar os esforços de reflorestamento. Priorizar a prevenção do desmatamento de florestas maduras continua sendo fundamental, mas a nova pesquisa orienta os formuladores de políticas sobre onde e como restaurar florestas para maximizar o sequestro de carbono. Esta abordagem, que trabalha com a natureza e seus processos intrínsecos, é um passo crucial para um futuro mais sustentável.












