Bermuda, um pequeno mas estratégico arquipélago no Atlântico, deu um passo ousado em direção ao futuro financeiro ao anunciar uma parceria com gigantes da indústria cripto, Coinbase e Circle, para construir a primeira economia nacional totalmente onchain do mundo. A iniciativa, revelada em 19 de janeiro de 2026, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, visa integrar ativos digitais como a base da infraestrutura financeira cotidiana do país.

Essa colaboração ambiciosa posiciona Bermuda na vanguarda da inovação, buscando superar os custos e as restrições dos sistemas de pagamento tradicionais que historicamente impactam economias insulares. O objetivo é expandir a adoção de stablecoins, como o USDC, entre empresas locais e agências governamentais, além de apoiar a educação financeira digital em todo o território.

Para uma economia altamente empreendedora como a de Bermuda, os trilhos de pagamento convencionais são frequentemente caros e limitantes, com tarifas elevadas que afetam as margens dos comerciantes. A digitalização completa da economia promete transações mais rápidas, de baixo custo e baseadas em dólar, oferecendo um modelo financeiro novo e eficiente.

A fundação regulatória de Bermuda

O movimento de Bermuda não é um salto no escuro, mas o resultado de uma estratégia regulatória progressista que começou anos atrás. Em 2018, o país introduziu a Lei de Negócios de Ativos Digitais (DABA), um dos primeiros e mais abrangentes arcabouços regulatórios para ativos digitais globalmente.

Essa estrutura legal robusta, que evoluiu com atualizações em 2025 e 2026, é caracterizada por sua abordagem baseada em princípios, equilibrando a conformidade com a agilidade tecnológica. Empresas como Circle e Coinbase foram das primeiras a obter licenças sob este regime, o que demonstra a confiança mútua e a experiência acumulada pela jurisdição.

A Autoridade Monetária de Bermuda (BMA) tem refinado continuamente este arcabouço, com diretrizes específicas para stablecoins e requisitos rigorosos de combate à lavagem de dinheiro (AML) e financiamento ao terrorismo (ATF), garantindo um ambiente seguro e transparente para os negócios de ativos digitais.

A visão de uma economia onchain na prática

A parceria com Coinbase e Circle não se limita a um plano teórico. Ela envolve a implementação de infraestrutura de ativos digitais e ferramentas corporativas para o governo, bancos locais, seguradoras, pequenas e médias empresas e consumidores.

O plano inclui o uso piloto de pagamentos com stablecoins em agências governamentais e a expansão da aceitação do USDC entre empresas. Um exemplo concreto desse engajamento ocorreu no Fórum de Finanças Digitais de Bermuda em 2025, onde um airdrop de 100 USDC foi distribuído a cada participante para uso com comerciantes locais recém-integrados.

Uma economia onchain, que utiliza ativos digitais como infraestrutura financeira diária, promete transformar a maneira como os pagamentos são feitos, o comércio é conduzido e os serviços financeiros são acessados. Para Bermuda, que tem um histórico de inovação em serviços financeiros, como o pioneirismo no mercado de seguros cativos, essa é uma evolução natural.

A iniciativa de Bermuda serve como um modelo potencial para outras nações que buscam modernizar suas infraestruturas financeiras e abraçar os benefícios da economia digital. Ao integrar a tecnologia blockchain e as stablecoins em seu tecido econômico, Bermuda não apenas otimiza seus próprios sistemas, mas também estabelece um precedente importante para a adoção global de ativos digitais.