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Stablecoin, literalmente “moeda estável”, é um tipo de criptomoeda que busca oferecer estabilidade de preços, sendo geralmente pareadas a moedas fiduciárias. Elas ganharam força ao tentar oferecer o melhor dos dois mundos – o processamento instantâneo e a segurança ou privacidade dos pagamentos de criptomoedas e as avaliações estáveis ​​sem volatilidade das moedas correntes.

As criptomoedas foram sempre marcadas pela alta volatilidade, mudando de preços com muita rapidez, dependendo de fatores externos, semelhante ao que ocorre no mercado de ações. É comum ver alguns desses ativos digitais subindo ou descendo mais de 10 pontos percentuais, em qualquer direção, em um curto intervalo de tempo.

Esse tipo de volatilidade de curto prazo gera temor de muita gente para sua adoção para uso diário, em substituição ao papel-moeda. Em teoria, uma moeda deve atuar como um meio de troca monetária e um modo de armazenamento de valor monetário, e seu valor deve permanecer relativamente estável em horizontes de tempo mais longos. Os usuários evitarão adotá-lo se não tiverem certeza de seu poder de compra amanhã.
Idealmente, uma criptomoeda deve manter seu poder de compra e ter a menor inflação possível, o suficiente para incentivar o gasto dos tokens em vez de poupá-las. As stablecoins fornecem uma solução para se atingir esse quadro ideal, pois o uso dos ativos de reserva como lastro garante sua estabilidade.

O conceito econômico por trás das stablecoins é seu pareamento em um ativo estável, como o dólar, euro ou metais preciosos, a exemplo do ouro.  Em alguns casos, possuem paridade em moeda fiat (fiduciárias), devendo possuir quantidade igual ou maior desse ativo para garantir a sua emissão. Também podem ser lastreadas por commodities, como propõe projetos que buscam fazer isso com petróleo, café e soja. Existem ainda aquelas lastreadas a outras criptomoedas, utilizando mecanismos próprios para manutenção do seu valor estável.

A stablecoin com maior valor de mercado é a Tether (USDT),  atrelada ao dólar norte-americano. Por definição, 1 USDT sempre valerá US$ 1. Outras stablecoins do dólar são USD Coin, Dai, Binance USD, TrueUSD. No Brasil, a BRZ equivale a 1 real.

Atualmente, as stablecoins com maior capitalização são Tether (USDT) com valor de mercado de 63 bilhões de dólares; USD Coin (USDC) com 25 bilhões; Binance USD (BUSD) 10 bilhões e Paxos Standard (PAX), com 836 milhões. Assim como as demais criptomoedas, as moedas estáveis podem ser adquiridas nas exchanges.

Um esclarecimento importante é que apesar de terem valor igual a uma unidade de dinheiro fiat, stablecoins não são emitidas por um banco central. Uma CBDC (sigla para Moeda Digital de Banco Central) é uma stablecoin, mas o inverso não é verdade.

Nos últimos tempos, a demanda por esse tipo de ativo digital é crescente e já preocupam alguns governos. Atualmente, estão disponíveis mais de 100 stablecoins diferentes em todo o mundo. De acordo com um relatório da CB Insights, o valor geral das moedas estáveis ultrapassou os US$ 20 bilhões no final de 2020. Além disso, muitos provedores de serviços financeiros que desejam entrar no espaço criptográfico, como o JP Morgan, já se declararam ansiosos para usar stablecoins.

Como mantém estabilidade de preços

Duas razões principais para a estabilidade de preços das moedas fiduciárias são as reservas que as sustentam e as ações de mercado oportunas por parte das autoridades de controle, como os bancos centrais.

Em linhas gerais, a maior parte das criptomoedas não possuem esses dois recursos. Ou seja, não possuem uma reserva de apoio às suas avaliações e tampouco uma autoridade central para controle de preços quando necessário. As stablecoins são, portento, criptomoedas mas seu sistema a aproxima de versões eletrônicas de dinheiro emitido por alguma nação.

Tipos de stablecoin

Stablecoins colateralizada por fiat

As stablecoins colateralizadas por fiat mantêm uma reserva de moeda fiduciária, como garantia para a emissão de um número adequado de ativos criptográficos.

O sistema da maioria das stablecoins atuais usa como garantia real reservas em dólares ou euros. Tais  reservas são mantidas por custodiantes independentes e regularmente auditadas para verificação do lastro necessário. Tether (USDT) e TrueUSD são moedas criptográficas populares que têm um valor equivalente ao de um dólar americano, sendo garantidas por depósitos em dólares.

Já a Stasis EURO (EURS) usa a mesma metodologia mas, como o nome indica, seu lastro é o euro. O Brasil tem, por exemplo, a Brazilian Digital Token (BRZ)  e Cripto BRL (CBRL) atreladas ao valor do Real.

Stablecoins cripto-colateralizados

Stablecoins cripto-colateralizada, são aquelas pareada a outra criptomoeda descentralizada. Uma vez que a criptomoeda de reserva também pode estar sujeita a alta volatilidade, essas stablecoins são “sobrecolateralizadas” – isto é, um número maior de tokens de criptomoeda é mantido como reserva para a emissão de um número menor de stablecoins.

Por exemplo, US$ 2.000 em ETH podem ser mantidos como reservas para a emissão de US$ 1.000 em stablecoins que acomodam até 50% das oscilações na moeda de reserva (ethereum). Auditorias e monitoramento mais frequentes aumentam a estabilidade de preços.

Apoiado pelo ethereum, a DAI, da MakerDAO, é indexada ao dólar dos EUA e permite o uso de uma cesta de criptoativos como reserva.

Stablecoins colateralizada por commodities

Stablecois podem ser lastreada em ativos como metais preciosos ou uma certa quantidade de commodities. A lógica é a mesma, onde uma quantidade de cripto tem a paridade fixa de uma determinada quantidade de um produto como petróleo, ouro ou cobre, depositada em algum lugar onde seja possível auditar. Existem algumas que optam por serem apoiadas por cestas de metais preciosos, até mesmo imóveis na Suíça.

A vantagem desse tipo de stablecoin é que eu valor não se vincula à política de bancos centrais, mas sim ao valor das commodities – que podem variar mais ou menos, dependendo do contexto econômico global. No entanto, também são criptomoedas de arquitetura centralizada, emitidas pelas empresas proprietárias do blockchain, que armazenam estoques da commodity para garantir o lastro da moeda.

Algumas das mais conhecidas são a Pax Gold (PAXG), apoiada por uma onça troy de ouro armazenada no cofre de ouro da Brinks, em Londres. Já o Digix Gold Token (DGX) tem o lastro em uma grama de ouro fino de 99,99% armazenado em Cingapura.

Quando foi lançada pelo governo da Venezuela, a Petro (PTR) queria inovar, afirmando que tinha lastro em barris de petróleo, mas naufragou junto com a economia do país.

Stablecoins algorítmicas

Existem stablecoins não-colateralizadas, ou seja, sem lastro. Como sua estabilidade provém de algoritmos que controlam a quantidade de ativos em circulação, também são conhecidas como algorítmicas.

Stablecoins sem garantia não usam nenhuma reserva, mas incluem um mecanismo de trabalho, como o de um banco central, para manter um preço estável. Por exemplo, a moeda-base indexada ao dólar usa um mecanismo de consenso para aumentar ou diminuir o fornecimento de tokens conforme a necessidade. Essas ações são semelhantes às de um banco central imprimindo notas para manter as avaliações da moeda fiduciária. Isso pode ser alcançado implementando um contrato inteligente em uma plataforma descentralizada que pode ser executada de forma autônoma.

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