Em maio passado, o mercado de stablecoin atingiu a marca de US $ 100 bilhões em capitalização. Isso começou a gerar dúvidas e preocupações em diferentes esferas do governo dos Estados Unidos, devido ao “perigo” que essas moedas podem representar para a economia global, conforme está sendo noticiado.

Um relatório da agência de notícias Bloomberg que colheu diferentes depoimentos públicos e reservados de várias personalidades da política dos Estados Unidos, o que evidencia a crescente preocupação com o crescimento do mercado de stablecoin.

Uma das preocupações é causada pela falta de regulamentação que estes tipos de ativos possuem, permitindo uma livre circulação de capitais, muito diferente das regras que regem o sistema bancário tradicional. Isso “potencialmente cega os reguladores para o financiamento ilícito”, cita o relatório.

Na prática, observa-se que muitos usuários utilizam stablecoins como forma de congelar fundos da negociação de criptomoedas nas bolsas, sem a necessidade de depositar dinheiro em suas contas bancárias.

No entanto, as preocupações parecem estar mais voltadas para as empresas emissoras dessas criptomoedas estáveis que para os próprios ativos criptográficos. Isso ocorre, em parte, pelo fato de o dinheiro negociado por meio de uma stablecoin não ser protegido pela Federal Deposit Insurance Corporation, que garante a recuperação do dinheiro dos depositantes em caso de quebra de sua instituição financeira.

Um dos porta-vozes dessa preocupação foi a senadora de Massachusetts Elizabeth Warren, que comparou stablecoins à ““wildcat notes”, que eram títulos emitidos no final do século XIX diretamente por um banco privado e não regulamentado, cujo valor era supostamente lastreado por metais preciosos ou outros tipos de títulos. Eles acabaram causando uma crise financeira no ano de 1875, que resultou na criação de uma das primeiras leis de regulamentação bancárias do continente.

Uma stablecoin é uma criptomoeda ancorada no preço de outro ativo, geralmente uma moeda fiduciária, por exemplo, o dólar, o euro ou a libra. A principal característica é que essa criptomoeda não altera seu preço (em relação à moeda com a qual mantém a paridade) e, portanto, não sofre volatilidade. Em resumo, uma stablecoin como o tether, líder nesse segmento, sempre valerá um dólar. Inclusive, ela usa como símbolo USDT (United States Dollar Tether).

O suporte de do tether, geralmente ocorre por meio de ativos líquidos depositados em bancos, títulos, metais preciosos, entre outros. Existem também criptomoedas estáveis ​​apoiadas por outras criptomoedas, como DAI, que usa um sistema de backup com diferentes tokens Ethereum.

Stablecoins são um problema para CBDCs

Os bancos centrais começaram a criar seu próprio sistema de moedas virtuais centralizadas, denominadas Moedas Digitais de Banco Central (CBDC).

De acordo com o relatório da Bloomberg, Jerome Powell, o diretor do FED, o Banco Central americano, acredita que os legisladores devem agir rapidamente para a criação desse tipo de moeda, a fim de acelerar o processo. Eles também estão cientes que dezenas de países trabalham para o uso de CBDC em seu território. A principal preocupação é com a China, que pode fazer o lançamento em fevereiro de 2022, durante os Jogos Olímpicos de Inverno.

Por sua vez, o Banco Central Europeu posicionou-se recentemente para obter o poder de veto sobre o lançamento de novas criptomoedas por parte dos países. O tema foi tratado, inclusive, durante a reunião de ministros das finanças do G7, no início do mês.

Se isso se confirmar, a adoção de stablecoins deve ganhar ainda mais força.