Brian Armstrong, CEO da Coinbase, está ativamente envolvido nas discussões sobre a estrutura regulatória do mercado de criptoativos durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, buscando influenciar um arcabouço legislativo claro para a indústria. Sua presença no evento, que ocorre de 19 a 23 de janeiro, sublinha a urgência do setor em moldar políticas que equilibrem inovação e proteção ao consumidor, especialmente após a Coinbase ter retirado seu apoio a um projeto de lei nos EUA.

A participação de Armstrong em Davos, conforme noticiado por diversas fontes, incluindo o The Block, visa promover o papel das criptomoedas na modernização dos sistemas financeiros globais e avançar na legislação de estrutura de mercado. Ele também defende a tokenização de ativos como um meio de democratizar o acesso ao capital.

Este ano, o Fórum Econômico Mundial marca um ponto de inflexão para o debate sobre ativos digitais, que transita de discussões conceituais para questões práticas de integração no sistema financeiro tradicional. A clareza regulatória, impulsionada por avanços em 2025, é vista como um catalisador crucial para a adoção em larga escala e a escalabilidade da tecnologia blockchain.

A complexidade da legislação de estrutura de mercado cripto

Apesar do engajamento em Davos, a Coinbase recentemente retirou seu apoio a um projeto de lei de estrutura de mercado proposto no Senado dos EUA, conhecido como “CLARITY Act” ou “Digital Asset Market Structure Act”. Armstrong expressou sérias preocupações com a versão atual do texto, afirmando que seria “materialmente pior do que o status quo atual”.

Entre as objeções de Armstrong estão a proibição de fato de ações tokenizadas, restrições ao financiamento descentralizado (DeFi) e o enfraquecimento da autoridade da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) em favor da Securities and Exchange Commission (SEC). Além disso, o projeto de lei visava eliminar o rendimento passivo sobre stablecoins, uma medida que Armstrong vê como um “presente para os bancos” e um obstáculo à inovação.

Essa postura reflete uma evolução na indústria cripto: se antes qualquer clareza regulatória era bem-vinda, agora a prioridade é uma regulamentação equilibrada que não sufoque a inovação ou favoreça indevidamente os players tradicionais. Armstrong enfatiza a importância de um campo de jogo nivelado para empresas cripto e bancos tradicionais, especialmente no que tange às stablecoins.

Implicações globais e o futuro da regulação cripto

As discussões em Davos e a postura da Coinbase em relação à legislação dos EUA têm implicações significativas para a estrutura do mercado de criptoativos em escala global. O Fórum Econômico Mundial de 2026 destaca a tokenização e as stablecoins como elementos centrais na transformação das finanças, com o objetivo de integrar esses ativos na infraestrutura financeira existente.

Armstrong planeja usar a plataforma de Davos para dialogar com líderes mundiais e CEOs de bancos, buscando encontrar soluções que sejam benéficas para todos os envolvidos. Este esforço colaborativo é crucial para superar os desafios regulatórios e garantir que a inovação em ativos digitais possa prosperar dentro de um quadro legal robusto e justo.

O resultado desses debates em Davos e o progresso da legislação nos EUA serão determinantes para a trajetória do mercado de criptoativos nos próximos anos. A busca por uma regulamentação que promova a liberdade econômica e modernize os sistemas financeiros, sem comprometer a descentralização e a equidade, continua sendo um desafio complexo, mas essencial para a maturidade da indústria.