A Universidade James Cook, na Austrália, revelou recentemente uma descoberta biológica surpreendente: os tubarões-epaulette, conhecidos por sua capacidade de “andar” sobre as nadadeiras, conseguem se reproduzir sem um aumento mensurável no gasto de energia. Publicada em 21 de janeiro de 2026, esta pesquisa desafia suposições de longa data sobre o alto custo energético da reprodução animal.
A eficiência na reprodução de tubarões andantes pode ser uma adaptação crucial. Ela sugere uma resiliência inesperada em face de estressores ambientais, como o aquecimento dos oceanos. O estudo, que acompanhou de perto o ciclo reprodutivo desses animais, oferece uma nova perspectiva sobre a capacidade de sobrevivência de algumas espécies marinhas.
Para a maioria das espécies, a reprodução é vista como um investimento energético significativo, exigindo um grande dispêndio de recursos para criar nova vida. No entanto, os tubarões-epaulette parecem ter evoluído um sistema singularmente eficiente, mantendo seus níveis metabólicos estáveis durante todo o processo de desova.
A eficiência metabólica por trás da desova
Liderada pela professora Jodie Rummer, da equipe de fisiologia de tubarões da Universidade James Cook, a pesquisa monitorou cinco fêmeas de tubarões-epaulette antes, durante e depois da formação das cápsulas de ovos. A equipe mediu taxas de consumo de oxigênio, um indicador da taxa metabólica, e analisou a química do sangue e os níveis hormonais.
Os resultados mostraram que o uso de energia dos tubarões permaneceu “completamente estável”, sem o aumento esperado durante a produção dos ovos. A doutora Carolyn Wheeler, principal autora do estudo e recém-doutora pela JCU, destacou que “tudo estava notavelmente estável”, desafiando premissas fundamentais sobre peixes condrictes, que incluem tubarões, raias e quimeras.
Os tubarões-epaulette depositam tipicamente dois ovos a cada três semanas, com o pico de desova ocorrendo entre setembro e dezembro. Esta capacidade de desovar sem um custo energético adicional significativo é uma adaptação fisiológica notável, sugerindo que esses tubarões otimizaram o uso de energia de maneiras inéditas.
Implicações para a resiliência em oceanos aquecidos
A pesquisa da Universidade James Cook, publicada na revista Biology Open, tem implicações importantes para a compreensão da resiliência das espécies marinhas em um cenário de mudanças climáticas. Professor Rummer observa que este trabalho “desafia a narrativa de que, quando as coisas dão errado – como o aquecimento dos oceanos – a reprodução será a primeira a ser afetada”.
Em um contexto onde o aquecimento global impõe desafios crescentes aos ecossistemas marinhos, com temperaturas oceânicas elevadas afetando a reprodução e a sobrevivência de muitas espécies, a capacidade do tubarão-epaulette de manter sua taxa reprodutiva sob estresse é um sinal encorajador. Dr. Wheeler reforça que, enquanto muitas espécies precisam escolher entre sobrevivência e reprodução sob estresse ambiental, o tubarão-epaulette pode continuar a produzir ovos.
Essa resiliência é vital, pois “tubarões saudáveis significam recifes saudáveis”, conforme a equipe de pesquisa. Compreender essas adaptações pode fornecer insights valiosos para esforços de conservação, especialmente para outras espécies de tubarões e raias que enfrentam declínios populacionais significativos devido a fatores como a sobrepesca e a perda de habitat.
A descoberta sobre a reprodução de tubarões andantes abre novas frentes de investigação sobre como outras espécies marinhas podem estar se adaptando a um ambiente em constante mudança. Estudos futuros podem explorar os mecanismos genéticos e fisiológicos por trás dessa eficiência energética e avaliar a aplicabilidade dessas descobertas na proteção de ecossistemas marinhos vulneráveis.










