A Sony patenteou um sistema de “jogador fantasma” com inteligência artificial para auxiliar quem trava em jogos. A tecnologia promete revolucionar a acessibilidade e a retenção de jogadores, oferecendo suporte dinâmico e contextualizado para superar desafios.
A iniciativa da gigante japonesa, cujo pedido de patente foi apresentado internacionalmente em 2024 e ganhou destaque recente, surge como uma resposta à crescente complexidade dos títulos modernos. Muitos jogadores, especialmente os menos experientes, abandonam jogos ao se depararem com obstáculos intransponíveis, como quebra-cabeças elaborados ou chefes difíceis.
Atualmente, a busca por soluções em guias online ou vídeos de gameplay é demorada e muitas vezes não se alinha perfeitamente com o cenário exato que o jogador enfrenta. A proposta da Sony visa sanar essa lacuna, integrando a assistência diretamente à experiência de jogo.
IA no controle: como o “fantasma” vai funcionar
O sistema de “jogador fantasma” da Sony é descrito como uma sobreposição que interage com o ambiente do jogo ao lado do jogador, simulando a presença de um parceiro cooperativo que demonstra a solução em tempo real. Essa inteligência artificial, treinada com milhares de horas de vídeos de gameplay de plataformas como YouTube e Twitch, além de dados da PlayStation Network, é capaz de analisar o estado do jogo e o cenário atual para oferecer a melhor estratégia.
A patente detalha diferentes modos de assistência, desde dicas e demonstrações de sequências de botões até a possibilidade de o “fantasma” assumir o controle completo de uma seção do jogo para que o jogador possa progredir. Essa flexibilidade permite que o suporte seja adaptado às necessidades do usuário, mitigando a frustração sem necessariamente eliminar o desafio.
A frustração é um fator complexo nos jogos; enquanto um certo nível pode motivar e aprimorar habilidades, o excesso leva ao abandono. Segundo estudos, jogadores frustrados têm maior probabilidade de desistir de um jogo. A Sony busca, com essa tecnologia, equilibrar o desafio com a acessibilidade, mantendo os jogadores engajados por mais tempo.
O panorama da inteligência artificial nos games
A Sony não é a única a explorar a inteligência artificial para aprimorar a experiência de jogo. A Microsoft, por exemplo, tem investido na integração de IA em seus sistemas, como o Gaming Copilot, que oferece dicas e truques contextuais no Xbox Game Bar. Além disso, modelos como o Muse da Microsoft Research buscam otimizar o desenvolvimento de jogos e a interação do jogador, criando ambientes mais imersivos e responsivos.
A IA já é amplamente utilizada em diversas facetas da indústria de jogos, desde a criação de personagens não-jogáveis (NPCs) com comportamentos mais realistas e diálogos dinâmicos até a geração de ambientes de jogo e a adaptação da dificuldade. Essa evolução aponta para um futuro onde a linha entre a assistência programada e a interação inteligente se tornará cada vez mais tênue, prometendo experiências personalizadas e inclusivas.
A patente do “jogador fantasma” da Sony representa um passo significativo nessa direção, oferecendo uma solução inovadora para um problema antigo da indústria de games. Embora patentes nem sempre se materializem em produtos finais, essa iniciativa sublinha o compromisso das grandes empresas em utilizar a IA para redefinir a forma como interagimos com os jogos, tornando-os mais acessíveis e divertidos para um público ainda maior.












