A Riot Platforms, uma das maiores mineradoras de Bitcoin da América do Norte, vendeu aproximadamente US$ 162 milhões em Bitcoin em novembro de 2025. Esta medida estratégica reflete a crescente pressão sobre a lucratividade do setor, à medida que o hashprice do Bitcoin retorna a níveis baixos.
Esta decisão, parte de uma venda total de cerca de US$ 200 milhões nos últimos dois meses de 2025, sinaliza um ambiente desafiador para as operações de mineração de criptomoedas. O hashprice, que mede a receita esperada por unidade de poder de processamento, atingiu mínimas de vários anos em dezembro de 2025, embora tenha visto uma leve recuperação no início de 2026.
A queda do hashprice impacta diretamente a margem de lucro, forçando as mineradoras a reavaliar a retenção de ativos e a gestão de caixa. A Riot, em particular, utilizou esses fundos para financiar sua ambiciosa expansão em centros de dados de inteligência artificial (IA), um pivô estratégico notado por analistas do mercado.
A pressão do hashprice e o dilema das mineradoras
O hashprice é uma métrica crucial, calculando o valor de Bitcoin que um minerador pode ganhar por terahash por segundo (TH/s) de poder computacional. Em dezembro de 2025, essa métrica mergulhou para patamares historicamente baixos, chegando a US$ 36,25 por PH/s em 18 de dezembro, abaixo do ponto de equilíbrio estimado de US$ 40 por TH/s para muitos operadores.
Essa compressão nas receitas é agravada pelo halving de 2024, que reduziu a recompensa por bloco para 3.125 BTC, e pelo aumento contínuo da dificuldade da rede. Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck, observa que mineradoras estão se tornando vendedoras marginais de Bitcoin para financiar despesas de capital relacionadas à IA, especialmente em um cenário de crédito mais apertado.
Historicamente, mineradoras acumulavam Bitcoin esperando valorização futura. Contudo, a necessidade de cobrir custos operacionais e investir em infraestrutura, conforme noticiado por veículos especializados como The Block, tem levado a vendas substanciais como a da Riot.
Diversificação e resiliência em um mercado em transformação
A venda de Bitcoin da Riot Platforms, que reduziu suas reservas para 18.005 BTC no final de 2025, é um exemplo claro de como as mineradoras estão se adaptando. Os fundos, que totalizaram cerca de US$ 200 milhões, foram direcionados para o desenvolvimento de centros de dados de IA em Corsicana, Texas, com conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2027.
A estratégia de diversificação para inteligência artificial e computação de alta performance (HPC) é uma tendência crescente no setor. Mineradoras possuem infraestrutura de energia e resfriamento em larga escala, ideal para ser reaproveitada para outras cargas de trabalho intensivas em computação, buscando estabilizar a receita além da exposição pura ao hashprice.
A rentabilidade da mineração em 2026 ainda é possível, mas exige hardware eficiente e custos de energia baixos. A resiliência no setor depende de uma gestão financeira ágil e da capacidade de se adaptar rapidamente às condições de mercado, equilibrando a acumulação de ativos com a geração de caixa para despesas operacionais.
A movimentação da Riot Platforms destaca a complexidade do cenário atual para as mineradoras de criptomoedas. A venda estratégica de Bitcoin para financiar investimentos em IA não é apenas uma resposta à queda do hashprice, mas uma reorientação fundamental do modelo de negócios. Enquanto a volatilidade persistir, a inovação em eficiência e a diversificação serão pilares essenciais para a sobrevivência e o crescimento neste setor dinâmico.










