As autoridades sul-coreanas, por meio da Comissão de Serviços Financeiros (FSC), estão implementando um limite de 5% para o investimento cripto corporativo, encerrando uma proibição de nove anos para empresas listadas e investidores profissionais. A medida visa permitir a participação institucional no mercado de ativos digitais, mitigando riscos e promovendo liquidez controlada, conforme reportado inicialmente por veículos locais e repercutido por The Block. As diretrizes finais são aguardadas para o início de 2026, com as operações comerciais previstas para começarem no decorrer do ano.

Essa mudança representa um marco significativo para o ecossistema financeiro da Coreia do Sul, que há tempos debatia a inserção de entidades corporativas no dinâmico, mas volátil, mercado de criptoativos. A decisão reflete uma demanda crescente por transações institucionais e o reconhecimento de que grandes economias globais já permitem uma participação corporativa mais ampla, indicando um ambiente de mercado em evolução. A iniciativa busca equilibrar a inovação com a segurança financeira, um desafio constante para reguladores em todo o mundo.

A proposta de regulamentação, que vinha sendo discutida pela Comissão de Serviços Financeiros (FSC) desde fevereiro do ano passado, liberará o acesso ao mercado para aproximadamente 3.500 entidades elegíveis, incluindo companhias de capital aberto e instituições de investimento profissional. O foco inicial estará nas 20 maiores criptomoedas por capitalização de mercado, com a elegibilidade de stablecoins como o USDT ainda em debate.

O impacto das novas diretrizes e a gestão de riscos

A liberação gradual do investimento cripto corporativo na Coreia do Sul é projetada para injetar liquidez no mercado, embora a expectativa seja de que os fluxos se concentrem principalmente em Bitcoin e Ethereum, com menor impacto em altcoins. Segundo Min Jung, pesquisador associado da Presto Research, o impacto imediato será uma melhoria na liquidez do mercado. No entanto, a Comissão de Serviços Financeiros (FSC) está atenta aos riscos inerentes a essa expansão.

Para mitigar a volatilidade e proteger os investidores, as novas diretrizes incluirão regras de execução escalonada e limites de preço para a execução de negociações. Essa abordagem cautelosa visa evitar manipulações de mercado e garantir uma transição mais suave para a participação corporativa. A preocupação com a segurança e a integridade do mercado tem sido uma constante nas discussões regulatórias sul-coreanas, que já avaliam mecanismos para congelar contas suspeitas de manipulação, conforme noticiado por veículos como o Webitcoin.

Um cenário regulatório em evolução

A Coreia do Sul tem demonstrado um movimento contínuo em direção a uma regulamentação mais abrangente e robusta para o setor de criptomoedas. Recentemente, o país também expandiu sua “regra de viagem” para criptoativos, exigindo a coleta e compartilhamento de informações de remetente e destinatário para todas as transferências, independentemente do valor, visando combater a lavagem de dinheiro. Essa medida alinha o país aos padrões globais de combate a crimes financeiros, como os estabelecidos pelo Grupo de Ação Financeira (GAFI).

Além disso, as autoridades têm sido rigorosas com as exchanges locais. Após um ataque hacker à Upbit, a maior exchange do país, a FSC anunciou a implementação de regras de compensação para corretoras, exigindo que indenizem usuários por perdas decorrentes de invasões ou falhas de sistema, tratando-as com o mesmo rigor aplicado a bancos tradicionais, de acordo com reportagens do Money Times. Tais ações demonstram o compromisso sul-coreano em fortalecer a proteção ao consumidor e a infraestrutura de segurança, mesmo diante de um setor em rápida expansão e com desafios complexos, como os ataques cibernéticos atribuídos a hackers da Coreia do Norte.

A decisão de permitir e limitar o investimento cripto corporativo marca uma nova era para o mercado de ativos digitais na Coreia do Sul. Ao mesmo tempo em que abre portas para o capital institucional, a abordagem regulatória demonstra um compromisso com a estabilidade e a segurança. Os próximos meses serão cruciais para observar como as empresas se adaptarão a essas novas diretrizes e qual será o impacto real na liquidez e no desenvolvimento do ecossistema cripto no país, que continua a refinar seu arcabouço legal para um setor em constante mutação.