A Meta, empresa controladora do Facebook, planeja cortar cerca de 10% de sua equipe na divisão Reality Labs, focada em metaverso, realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR). As demissões, que podem ser anunciadas já nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, sinalizam uma reestruturação estratégica profunda após anos de investimentos massivos e perdas financeiras significativas, conforme relatado por veículos como The New York Times e Business Insider.
Esta movimentação ocorre em um momento crucial para a Meta, que tem enfrentado crescente pressão de investidores devido aos bilhões investidos no metaverso sem o retorno esperado. A divisão Reality Labs emprega aproximadamente 15.000 funcionários, de uma força de trabalho total de 78.000 pessoas na empresa. A decisão reflete uma mudança de prioridades, com a companhia buscando otimizar seus recursos em áreas de maior tração.
O diretor de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, convocou uma reunião para os colaboradores da Reality Labs na quarta-feira, 14 de janeiro, pedindo que compareçam presencialmente. Ele descreveu o encontro como o "mais importante" do ano, embora sem fornecer detalhes adicionais, o que intensifica a especulação sobre os anúncios iminentes, como destacado pela reportagem do GamesIndustry.biz.
As perdas bilionárias e a pressão dos investidores
A divisão Reality Labs tem sido um dreno considerável nas finanças da Meta. Em fevereiro de 2025, a empresa divulgou que, apesar de uma receita de US$ 1,08 bilhão nos três meses encerrados em 31 de dezembro de 2024, a divisão registrou uma perda operacional de US$ 4,967 bilhões no mesmo trimestre. O ano fiscal completo de 2024 fechou com US$ 2,1 bilhões em receita e uma perda impressionante de US$ 17,7 bilhões para o braço focado no metaverso.
Os números negativos persistiram, com a Reality Labs apresentando uma receita de US$ 470 milhões e uma perda de US$ 4,4 bilhões nos três meses encerrados em 30 de setembro de 2025. Desde que o Facebook foi renomeado para Meta em 2021, a empresa acumulou perdas superiores a US$ 70 bilhões em seus ambiciosos planos para o metaverso.
A diretora financeira da Meta, Susan Li, já havia previsto receitas menores para a divisão no quarto trimestre de 2025 em comparação anual. Essa sequência de resultados levou a uma pressão crescente dos acionistas e do mercado, que questionam a viabilidade e o cronograma de retorno dos investimentos no metaverso, impulsionando a necessidade de reavaliação estratégica.
O pivô para óculos inteligentes e inteligência artificial
Diante do cenário de perdas e da falta de concorrência significativa no espaço do metaverso, a Meta está realinhando seus investimentos. Um porta-voz da empresa afirmou anteriormente que estão "transferindo parte de nosso investimento do metaverso para óculos de IA e wearables, dado o ímpeto lá". Essa declaração, feita em dezembro de 2025, sugeria cortes de orçamento em até 30% para 2026.
A Reality Labs, especificamente, foi apontada para cortes mais profundos. A estratégia agora parece focar em tecnologias com aplicações mais imediatas e um mercado em desenvolvimento mais acelerado, como os óculos inteligentes e dispositivos vestíveis que incorporam inteligência artificial. Essa mudança pode representar um caminho mais pragmático para a Meta monetizar suas inovações em hardware e software.
A reestruturação na Meta Reality Labs marca um ponto de virada na jornada da empresa em direção ao futuro digital. Embora o metaverso continue sendo uma visão de longo prazo, a priorização de óculos inteligentes e IA demonstra uma adaptação às realidades do mercado e à busca por retornos mais tangíveis. O desafio agora é equilibrar a inovação ambiciosa com a sustentabilidade financeira, definindo os próximos passos da gigante tecnológica no cenário da realidade estendida.







